Em derrota para Guedes, Câmara aprova socorro de R$ 89,6 bi
para estados e municípios
BRASÍLIA – Em derrota para o governo, a Câmara dos Deputados
aprovou nesta segunda-feira o texto-base do projeto de lei para ajudar estados
e municípios a combaterem a crise do coronavírus. O texto tem impacto estimado
de R$ 89,6 bilhões, mais que o dobro do oferecido pelo Tesouro Nacional, e não
como prevê congelamento de salários como contrapartida, como previa a equipe
econômica.
A proposta foi aprovada por 431 votos a 70 e agora precisa
ser analisada no Senado. O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo
(PSL-GO) — único a orientar contra a proposta — disse que vai sugerir que o
presidente Jair Bolsonaro vete trechos do texto, por recomendação do ministro
da Economia, Paulo Guedes.
— O governo vai atuar no Senado para modificar (a proposta).
Existe a possibilidade concreta de o presidente avaliar a possibilidade de
veto. Essa discussão ainda vai continuar.
O principal ponto da proposta é a previsão de repasses
federais para compensar governos locais por perdas na arrecadação, medida
criticada pelo governo. Só esse trecho tem impacto estimado de R$ 80 bilhões,
segundo cálculos do relator da proposta, deputado Pedro Paulo (DEM-RJ).
O valor é mais que o dobro que o previsto pelo governo, que
admitia repassar algo entre R$ 32 bilhões e R$ 40 bilhões. Os outros R$ 9,6
bilhões seriam da suspensão da dívida com bancos públicos, trecho com o qual a
equipe econômica concorda.
Guedes é contra compensar arrecadação
Mais do que criticar o valor do programa propriamente dito, o ministro da Economia, Paulo Guedes é contra o mecanismo elaborado pelos deputados para auxiliar os entes federados. A maior crítica é atrelar os repasses à queda na arrecadação de impostos.
Mais do que criticar o valor do programa propriamente dito, o ministro da Economia, Paulo Guedes é contra o mecanismo elaborado pelos deputados para auxiliar os entes federados. A maior crítica é atrelar os repasses à queda na arrecadação de impostos.
Guedes disse ao GLOBO que a ideia é uma “irresponsabilidade
fiscal e incentivo perverso”, por permitir que gestores locais sejam menos
cuidadosos com suas finanças.
O texto prevê que o Tesouro compensará governos locais pelas
perdas na arrecadação de ICMS (dos estados) e do ISS (dos municípios). Caso
seja aprovada no Senado, a garantia será concedida por seis meses, entre abril
e setembro, com repasses mensais feitos pela União.
O custo do programa aprovado nesta segunda é menor do que a
versão que chegou a ser analisada semana passada. Segundo o Tesouro, o impacto
daquela versão chegaria a R$ 222 bilhões.
O impacto reduzido é resultado de um acordo parcial, em que
o relator atendeu a alguns pedidos do Executivo, como a retirada do aval para
empréstimos com garantia da União, que teria impacto de R$ 55 bilhões. Também
ficou de fora a suspensão das dívidas com a União, já concedida pelo Supremo
Tribunal Federal.
Só líder do governo orienta contra
A proposta, relatada pelo deputado Pedro Paulo (DEM-RJ), foi a terceira adaptação de um plano de socorro aos governos locais, após quase duas semanas de impasse entre o Executivo e o Legislativo. Ao avançar com o texto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aumenta o desgaste com o ministro da Economia, Paulo Guedes.
A proposta, relatada pelo deputado Pedro Paulo (DEM-RJ), foi a terceira adaptação de um plano de socorro aos governos locais, após quase duas semanas de impasse entre o Executivo e o Legislativo. Ao avançar com o texto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aumenta o desgaste com o ministro da Economia, Paulo Guedes.
A versão, no entanto, obteve amplo apoio das lideranças da
Câmara. Todos os partidos orientaram a favor da proposta. Antes da votação, o
líder do governo, Vitor Hugo (PSL-GO) criticou a medida e pediu voto contra.
— Não há qualquer intenção do governo de não ajudar estados
e municípios, pelo contrário. Havia até uma possibilidade sinalizada pelo
Ministério da Economia de aumentar o valor que o governo falou inicialmente.
Mas, infelizmente a forma como vai ser distribuída, como foi colocada no
substitutivo , recompondo ICMS e ISS, vai nos impedir neste momento de votar
junto no mérito. Vamos orientar não — disse o deputado, antes da votação.
Durante a votação, Maia enviou mensagem em uma lista de transmissão
em que justificava a urgência da decisão. “Ninguém quer que o governo dê mais
do que foi a arrecadação nominal. O que estamos propondo é que a União reponha
o que estados e municípios perderam durante esta crise. A arrecadação caiu e as
medidas têm de ser urgentes”, escreveu o presidente da Câmara.
Sem benefícios fiscais
Apesar de não ter incluído a previsão de suspensão de reajustes salariais, o relator incluiu um trecho que proíbe a concessão ou ampliação de benefícios fiscais. Ou seja, governadores e prefeitos não poderão usar o dinheiro extra para dar incentivos. As exceções são medidas emergenciais para pequenas empresas, como a que já foi aprovada para as companhias do Simples Nacional.
Apesar de não ter incluído a previsão de suspensão de reajustes salariais, o relator incluiu um trecho que proíbe a concessão ou ampliação de benefícios fiscais. Ou seja, governadores e prefeitos não poderão usar o dinheiro extra para dar incentivos. As exceções são medidas emergenciais para pequenas empresas, como a que já foi aprovada para as companhias do Simples Nacional.
A proposta também proíbe que a receita extra seja usada para
aumentar despesas “não diretamente relacionadas ao combate dos efeitos da
calamidade” da Covid-19. Os gastos dos governos locais nesse período serão
acompanhados por uma subcomissão formada por deputados e senadores, de acordo
com o texto.

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