Ontem, conversando com o jornalista Alexandre Machado,
observei que não é aceitável que o ministro da Justiça fique em silêncio num
momento como o atual. São tantas ilegalidades, tanto desrespeito aos direitos
humanos, à Constituição e à democracia, que o mínimo que o titular da pasta
deveria fazer seria se posicionar. Qualquer outra coisa que não isso é
constrangedora.
Sérgio Moro está comendo o pão que o diabo amassou. Pagará
caro pela omissão e pela covardia que o converteram em objeto de decoração de
um governo descerebrado. Não terá como apagar de seu currículo o serviço que
está a prestar a um presidente que pouco caso faz à Justiça.
Hoje, o noticiário dá conta de que Moro está pensando em se
demitir. O motivo seria a disposição do presidente de se livrar do diretor da
Polícia Federal, Maurício Valeixo. É uma novela que se arrasta há tempo. A
razão da irritação presidencial não é conhecida, mas não é difícil imaginar
quais são suas preocupações e intenções.
Caso termine por se consumar, a demissão de Moro deixa o
governo mais fraco na opinião pública, mas não em termos políticos e
administrativos. O atual ministro já era carta fora do baralho governamental.
Para azar dele, acabará saindo tarde demais, sem tempo hábil para recompor a
imagem e calibrar a narrativa. Terá de fazer um esforço enorme para sustentar
que apesar de ter andado na companhia da família Bolsonaro não manteve laços de
identidade com ela.
*Marco Aurélio Nogueira, professor titular de Teoria
Política da Unesp

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