O Brasil perdeu nas últimas semanas uma galeria de nomes
ilustres da cultura nacional. Dos contistas Rubem Fonseca e Sérgio Sant’Anna
aos compositores Moraes Moreira e Aldir Blanc, passando pelo artista plástico
Abraham Palatinik.
Em nenhum momento autoridades do governo federal, a começar
pela secretária de Cultura, Regina Duarte, demonstraram publicamente algum tipo
de pesar —o que, infelizmente, não surpreende diante das constantes
demonstrações de aversão ao conhecimento científico, às artes e à educação.
Dado que a riqueza cultural acumulada passou de “soft power”
reconhecido internacionalmente a alvo de guerrilhas ideológicas, não se poderia
esperar coisa diferente.
O obscurantismo nesse terreno desafia limites. A ocupação
massiva dos órgãos do setor por uma malta de despreparados e fanáticos
—teleguiados, não raro, pelo guru do ideário cultural bolsonarista, o escritor
Olavo de Carvalho— parecia encontrar uma pausa na nomeação da atual secretária.
De fato, quando da escolha da atriz, chegou-se a imaginar
que se avizinharia uma trégua. Foi, infelizmente, um engano.
A secretária, que já se notabilizara pela omissão e pela
falta de capacidade para o exercício da função, deu uma passo a mais em
entrevista que concedeu ao canal CNN Brasil. Na ocasião, uma descontrolada
Regina Duarte desfiou uma série espantosa de sandices, que foi da nostalgia em
relação ao ufanismo da ditadura militar ao desprezo pelas vidas —e não apenas
as dos grandes nomes da cultura— que se perdem aos milhares com a pandemia do
novo coronavírus.
À sua maneira e por outros caminhos, a secretária repetiu na
TV a sinistra performance de seu antecessor, Roberto Alvim, que encenou um
pastiche nazifascista para anunciar seus planos para o setor.
A permanência da atriz no cargo se afigura pouco promissora,
embora nas cavernas do bolsonarismo suas palavras tenham encontrado eco e, quem
sabe, lhe assegurado alguma sobrevida.
Nessa lógica de sinais trocados, em que o pior é visto como
melhor, uma eventual substituição não daria lugar a nada de minimamente
auspicioso, de todo modo.
Importa menos que a área tenha sido rebaixada ao segundo escalão do Executivo, abrigada na inexpressiva pasta do Turismo. Pior é observar o aparelhamento ideológico e a indigência do pensamento que emana das repartições culturais.

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