O governo anunciou mais uma medida inadiável. Vai lançar uma
nota de R$ 200 em plena pandemia do coronavírus. Até o fim de agosto, a nova
cédula deve começar a chegar às mãos dos brasileiros. Ou de alguns deles, é
claro.
A diretora de administração do Banco Central, Carolina de
Assis Barros, atribuiu a novidade ao entesouramento. O fenômeno ocorre quando a
população passa a guardar mais dinheiro em casa.
Com a quebradeira e a redução de salários, milhões de
famílias limitaram o consumo a itens essenciais. Quem não perdeu o emprego
tenta cortar despesas e seguir adiante. Ainda que a luz no fim do túnel pareça
vir de um trem na contramão.
O auxílio emergencial também aumentou a demanda por papel
moeda. Isso elevou o gasto federal com impressão e transporte de valores. Até
aqui, o governo precisava de ao menos seis notas para pagar os R$ 600. Agora só
precisará de três — e os beneficiários que se virem para arrumar troco na
quitanda.
Os economistas explicaram que o lançamento da cédula de R$
200 não significa a volta da inflação. Mesmo assim, quem viveu no Brasil antes
do Plano Real pode ter sentido um frio na espinha. Em 1993, o país chegou a
rodar uma nota de meio milhão de cruzeiros. Ela estampava o rosto do poeta
Mário de Andrade, que nada tinha a ver com aquela desordem monetária.
Ontem o BC anunciou que a nova cédula vai trazer a imagem do
lobo-guará. A escolha decepcionou quem preferia homenagear o vira-lata caramelo
ou a ema que bicou o presidente Jair Bolsonaro.
Para alguns setores da classe política, a novidade chega com
atraso. Se a nota de R$ 200 já existisse em 2017, o ex-deputado Rocha Loures não
precisaria ter corrido com uma ostensiva mala de rodinhas. Bastaria uma
discreta mochila para transportar a propina até o táxi.
O assessor que abastecia a conta do senador Flávio Bolsonaro também teria poupado tempo diante do caixa eletrônico. A cada depósito de R$ 2.000 em espécie, ele era obrigado a contar e separar 20 cédulas. Agora só precisaria de dez.

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