Irmãos, trago boas novas. Tudo indica que vamos nos livrar
do satânico bispo Crivella nas eleições de novembro. É o líder absoluto entre
os mais rejeitados. Graças a Deus! Aleluia! Epá Babá Oxalá! Mas e o day after?
O novo prefeito vai encontrar uma cidade devastada e degradada por uma
administração marcada por escândalos e ineficiência, destruindo ou abandonando
legados da administração anterior, como o Porto Maravilha e o VLT.
No “Retrato de Dorian Gray”, Oscar Wilde diz que só pessoas
superficiais não julgam pelas aparências. Crivella, por exemplo, com sua
conversa mole e sua brancura de cera, parece um clássico personagem de
histórias de terror, o antigo mordomo do casarão, que fala macio, é humilde e
prestativo com o casalzinho que herdou a mansão, mas à noite se transforma num
vampiro e lhes suga o sangue. Coitado, não tem culpa de ter nascido com esse
physique du rôle, mas combina com seu populismo canhestro e seu obscurantismo
provinciano.
A degradação econômica, urbana e cultural da cidade foi
acompanhada pela deterioração do que se chamava “espírito carioca”, que nos
orgulhava e diferenciava do resto do Brasil. Até os paulistas admiravam nosso
estilo de vida mais relaxado e informal, nosso humor e cordialidade, nossa
simpatia e a nossa fala cheia de gírias e chiados.
O humor e a cordialidade viraram rispidez e antagonismo, o
relaxamento virou desleixo com as leis, a educação e a ordem, a leveza ficou
pesada, a irreverência virou grosseria. Motivos não faltaram, o fato é que
vivemos uma mudança de comportamento profunda. E a administração Crivella
ajudou a piorar.
Empacado em 12%, o homem está desesperado e implorando o
apoio de Bolsonaro, até agora em vão, porque o Bozo não é bobo e não quer
queimar o seu filme já chamuscado com o eleitorado do Rio de Janeiro. O vídeo
dos dois dançando abraçados é uma mistura de terror com humor que tira mais
votos de Bolsonaro do que dá para Crivella. Devia ser exibido todo dia pelos
adversários dos dois.

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