domingo, 10 de dezembro de 2023

VANDALISMO NO RIO DEMANDA CAMPANHAS DE CONSCIENTIZAÇÃO

Editorial O Globo

Prejuízos para todos os cidadãos somam R$ 220 milhões em 20 meses na região metropolitana

Tornou-se comum no Rio o cidadão procurar uma lixeira e não encontrá-la onde deveria estar. Algum vândalo passou antes e levou a peça para vendê-la. Infelizmente, essa é apenas uma das muitas faces do vandalismo, que se revela também no furto frequente de cabos, na destruição de ônibus e trens, na deterioração de monumentos que guardam a memória da cidade e em tantas outras práticas do tipo. Como mostrou a série de reportagens “Um crime contra todos”, publicada no GLOBO, não se pode achar normal esse comportamento criminoso contra a própria cidade. O prejuízo não é apenas do poder público, mas de todos os cidadãos. Privados de usar os equipamentos urbanos, ainda têm de pagar pela reposição do material.

Apenas na capital e nas cidades de Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Niterói, na Região Metropolitana do Rio, os prejuízos do poder público e de concessionárias somam R$ 220 milhões em 20 meses. Dinheiro que poderia ser empregado em áreas prioritárias como educação, saúde ou transporte. De janeiro de 2022 a outubro deste ano, a Prefeitura carioca desembolsou R$ 98 milhões para reparar estragos causados por vândalos. Daria para comprar 31 ônibus. No mesmo período, foram furtados 1.015 quilômetros de fios da Rioluz e 140 quilômetros de cabos, além de 194 controladores de sinais da CET-Rio. Num único cruzamento na Zona Norte, o sinal foi furtado 55 vezes neste ano. A Light contou em nove meses de 2023 o furto de 11,6 quilômetros de cabos. Metade das latas de lixo espalhadas pelo município precisou ser reposta. Cada uma delas custa R$ 150.

Ônibus são alvos preferenciais. Neste ano, mais da metade da frota carioca (2.350 veículos) sofreu algum dano. Isso significa que o veículo precisou ser retirado de circulação para ficar ao menos 24 horas na oficina. Desde janeiro de 2022, 70 ônibus foram incendiados na Região Metropolitana do Rio, prejuízo de quase R$ 60 milhões. Em algum momento, o custo aparece na tarifa.

Governos e concessionárias têm adotado estratégias contra o vandalismo. Ralos de ferro têm sido trocados por outros de material menos cobiçado. Fios de cobre, substituídos por alumínio. A Rioluz concretou caixas de passagem. Câmeras de segurança têm sido instaladas para vigiar monumentos. A prefeitura instalou 50 aparelhos de GPS em peças públicas para tentar descobrir o caminho até os ferros-velhos. Pretende colocar mais 50. São iniciativas positivas, mas insuficientes para deter o vandalismo.

A polícia também precisa agir, sobretudo em pontos de receptação. É importante que poder público e concessionárias façam campanhas para conscientizar a população de que o custo do vandalismo é repartido entre todos. E os danos não são apenas financeiros. A falta de sinal num cruzamento perigoso ou o furto de uma tampa de bueiro podem resultar em acidentes graves. Não se trata de problema menor. Poder público e sociedade precisam se mobilizar para reverter o descalabro. Zelar pelo patrimônio é tarefa coletiva. De nada adianta exaltar as belezas da cidade e tratá-la como um troglodita.

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