A desaprovação do governo é fruto do conjunto de uma obra
mal concebida pelo presidente
A troca
de ministros é prerrogativa do presidente da República, assim como a
escolha de auxiliares é da responsabilidade dele. Portanto, quem errou não
foi Nísia
Trindade, mas quem a nomeou para comandar a pasta da Saúde sem incluir a
cláusula de vitrinista no contrato.
Profissional experiente e respeitada na área, foi chamada
justamente pelo prestígio acumulado. Se esperava que ela tivesse também
predicados marqueteiros, Luiz Inácio da Silva (PT) equivocou-se de pessoa.
Uma vez constatada a distância entre a
expectativa e a performance, uma substituição seria
natural não fosse a forma grosseira no andamento
da decisão. A ministra se viu exposta no noticiário municiado com a lista
dos casos em que teria falhado, como se fosse dela a culpa pelo tombo na
popularidade de Lula.
Exemplos fornecidos pelo governo que, assim, encaminhava o
descarte. Competente em seu campo de atuação, Nísia recebeu o carimbo de
incompetente por não ter sabido fazer o que nunca disse que saberia: política,
um universo movido a máquinas de moer carne para quem não é do ramo.
Nísia Trindade entrou numa fria. É possível que tenha se
arrependido, mas a deselegância do tratamento fica na conta de Lula que, ao
perceber o mal-estar, fez circular a versão de que se aborreceu com o vazamento
de informações sobre demissões de ministros.
Mais uma vez a tentativa de tirar o corpo fora. Sem sucesso,
pois apenas reforça a ideia de um governo onde reina a bateção de cabeça. Sendo
real a queixa, temos um presidente que admite não ter controle sobre a própria
equipe. Ainda assim, aos primeiros rumores ele poderia ter barrado a ofensiva e
não o fez.
Lula deixa
correr frouxa a boataria sobre sua insatisfação com o desempenho de ministros
porque lhe é conveniente atribuir culpas ao alheio pela desaprovação do
governo, cujas falhas não são isoladas. Trata-se do conjunto de uma obra mal
concebida e mal executada, que não será consertada mediante o acionamento
pontual do maçarico palaciano.
Nenhum comentário:
Postar um comentário