Inflação, discurso velho, petróleo novo e golpe de
Bolsonaro, nada ajuda Lula
Nova pesquisa mostra rejeição ainda maior a ideias,
planos e a quarto mandato
Luiz Inácio Lula da Silva
tem feito campanha para que se explore
petróleo na bacia da Foz do Amazonas, no mar que fica diante do Amapá e da
Ilha de Marajó, no Pará. Quase metade dos brasileiros (49,7%) é contra, 16,5%
são indiferentes, 20,8% pensam como o presidente.
E daí? Nem nesse assunto, em tese lateral em termos
políticos, o discurso de Lula está colando. Não quer dizer que iniciativas de
governo devam se curvar, ponto a ponto, a desejos imediatos ou ideias
circunstanciais da população.
Apenas se observa que nem aí Lula faz pontos na pesquisa
MDA para a Confederação Nacional do Transporte (CNT). O presidente tem
procurado falar ainda mais nas escolas, nas ruas, campos, construções, em rede
nacional ou em rádios locais. Vai colar?
Para 60,1%, os discursos de Lula são
"desatualizados e repetitivos" (para 32%, "atualizados e
propositivos"). Não parece ser assim porque Lula tenha muitos anos de
vida. Para 43,6%, a idade do presidente não é relevante; para 17,3%, dá a
vantagem da experiência (quase 61% contra o "etarismo", pois). Tem
algo mais aí.
Para 64,8%, Lula "não merece" um quarto mandato.
Para 62%, o governo está "no rumo errado". Para 44,5%, o governo
"está pior" do que o de Jair
Bolsonaro (para 36,4%, "está melhor").
Na pesquisa MDA/CNT de novembro de 2024, o governo Lula era
melhor do que o do capitão das trevas para 41% (ante 36% dos que preferiam os
tempos de Bolsonaro). Em janeiro de 2024, Lula ganhava por 48% a 29%.
O que houve de tão desastroso em um ano? Inflação apenas
não explica. A pesquisa MDA/CNT foi feita entre 19 e 23 de fevereiro, com 2.002
entrevistas e margem de erro de mais ou menos 2,2 pontos percentuais.
Lula ou seu governo são culpados pela inflação por 41% do
eleitorado (ou estão entre os responsáveis para mais de 51%). Comerciantes são
responsáveis para 5,3% —na semana passada, Lula
culpou "intermediários" que "assaltam" o povo pela carestia
dos combustíveis. As expectativas quanto a emprego, renda, segurança e até
saúde, serviço que muda devagar, pioraram.
O Datafolha havia revelado o desmoronamento da popularidade
presidencial. A pesquisa MDA/CNT mostra detalhes das ruínas. Lula é
"ruim/péssimo" para 44% (31% em novembro) e "ótimo/bom"
para 29% (35% em novembro). Chegou aos níveis de desprestígio de Bolsonaro.
Por falar na personagem, talvez o processo do golpe não
cause tanto estrago assim no capitão da extrema direita: 31,7% dizem nunca ter
ouvido falar da denúncia por acusação de golpe etc. Outros 39,7% ouviram falar
"superficialmente" do assunto.
O caso não parece ter causado muito interesse ou escândalo.
Ainda assim, 63,4% são contrários à mudança na Lei da Ficha Lima, uma tentativa
de livrar Bolsonaro das penas de seus crimes.
Já houve reviravoltas grandes nas taxas de aprovação de
governos. Fernando Henrique Cardoso saiu de 8% de "ótimo/bom" em
outubro de 1999, depois da grande desvalorização do real, para 33,3% em março
de 2001.
A marca mais baixa de Lula na pesquisa MDA/CNT havia sido em
junho de 2004 (29,4% de "ótimo/bom"). Em agosto de 2006, com
mensalão, com tudo, foi a 43,6%, na boca da campanha eleitoral.
Sim, não havia desgastes de três mandatos, envelhecimento de
ideias, palavras ou ações, redes sociais e onda mundial de direita ou
"polarização".
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