Avaliação positiva dos governantes locais não serve como
retrato fiel de eleições nacionais
Governadores muito mais bem avaliados que o outrora rei da
popularidade Luiz Inácio da Silva (PT) é, ao que me lembre, algo inédito na
nossa cena política. Pois foi o que mostrou a pesquisa
Quaest/Genial divulgada na semana passada.
Considerados os índices de aprovação, em São Paulo Lula perde de
29% a 61% para Tarcísio
de Freitas (Republicanos); no Rio, de 35% a 42% para Claudio Castro
(PL); em Minas, de 35% a 62% para Romeu Zema (Novo); no Paraná, de 30% a 81%
para Ratinho Júnior (PSD); no Rio Grande do Sul, perde de 33% a 62% para
Eduardo Leite (PSDB); em Goiás, de 28% a 86% para Ronaldo Caiado (União).
Nos dois maiores colégios eleitorais do
Nordeste, Lula empata na margem de erro com Raquel Lyra (PSD), de Pernambuco, e
fica atrás do baiano Jerônimo Rodrigues (PT) aprovado por 61% a 47% para o
presidente.
À exceção de Goiás, onde a diferença é mais gritante, nos
estados citados será definido o resultado de 2026, segundo Felipe Nunes, do
instituto Quaest. Por essa ótica, o quadro se desenharia desastroso para Lula
caso pesquisas de agora valessem como retrato fiel da próxima eleição.
Revelam momento preocupante, mas não irreversível. Primeiro,
porque não se pode fazer uma comparação precisa entre a atuação de governantes
locais e o chefe da nação sobre quem recaem os efeitos da inflação.
Além disso, no período de entressafra eleitoral há menos
contraditório no âmbito regional. Ali o embate ideológico tende a ficar em
segundo plano em relação ao cenário nacional. Neste, o foco —para o bem e para
o mal— é na figura do presidente da República.
Portanto, tudo isso é por enquanto, inclusive porque ainda
há os ingredientes a serem acrescentados pelas circunstâncias sobre as quais
não se tem controle nas projeções.
Na política brasileira tudo pode mudar em 15 minutos, o que
dirá em pouco mais de um ano e meio. Ou 12 meses, se considerarmos o início de
abril de 2026, a data das desincompatibilizações dos governadores interessados
em ir da planície ao Planalto.

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