Suspeito de abuso político e econômico, grupo do
governador manobra para continuar mandando
Não há nada mais previsível que a política do Rio de
Janeiro, baseada no populismo, no clientelismo e na máquina de corrupção
que parece funcionar de modo autônomo. A prisão e o afastamento de seis
governadores não pararam a engrenagem.
Cláudio
Castro conseguiu a aprovação de Thiago Pamplona, o vice-governador,
para um cargo técnico, o de conselheiro do Tribunal de Contas. A manobra vai
permitir que o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, assuma o
Palácio Guanabara no ano que vem. Bacellar será candidato ao governo estadual e
Castro, ao Senado.
Selada a paz com Pamplona, que desiste de
concorrer e era uma pedra no sapato de Castro atuando contra ele dentro do
palácio, o desafio é encaixar outra peça problemática. Cupincha de Bolsonaro,
Washington Reis, secretário de Transportes e "dono" de Duque de
Caxias, segundo maior colégio eleitoral do estado, insiste na candidatura ao
governo. Como o ex-presidente, a quem ajudou na fraude do cartão de vacina,
Reis está inelegível, condenado por crime ambiental, e aguarda decisão de
recurso ao STF.
Castro e Bacellar também enfrentam pendências na Justiça —ou
não seriam caciques fluminenses. São acusados de abuso de poder político e
econômico no processo em que o Ministério Público aponta desvios com finalidade
eleitoral em projetos e programas da Fundação Ceperj e da Uerj. São desvios que
somam R$ 1 bilhão, com saques de funcionários-fantasmas na boca do caixa, uma
roubalheira às claras.
O adversário do grupo de Castro é um velho conhecido, Eduardo Paes,
quatro vezes prefeito e que amargou derrota para Wilson Witzel em 2018. Na
véspera do pleito, Paes, que liderava as pesquisas, levou um caldo da onda
bolsonarista. Vai tentar de novo, apelando ao discurso que o abateu: linha-dura
na segurança pública. No atual governo, o combate à criminalidade virou só
garganta, sem resultados práticos.
Não há sinal de outsiders na disputa, mas pode pintar um
combo de coach, influencer e evangélico. Com potencial de muitos votos.

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