O texto segue agora para o Senado, onde terá de ser
aprovado em duas sessões. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça,
Otto Alencar, disse que, no Senado, a proposta não passa. Que assim seja
A Câmara dos Deputados abonou na madrugada desta
quarta-feira, por ampla maioria de votos, medida que pode ser considerada um
desrespeito ao povo brasileiro.
Durante a sessão, foi aprovada uma proposta de emenda à
Constituição, conhecida como PEC da Blindagem, que protege os parlamentares de
qualquer processo criminal, que não poderá ser levado à frente sem que a Câmara
ou Senado autorize o seu início, por maioria absoluta, com voto secreto.
Uma decisão desse tipo dá aos parlamentares um privilégio
inaceitável, que os põe acima da lei aplicada aos cidadãos comuns, tornando-os
uma classe de intocáveis.
Conhecendo-se o corporativismo do Congresso Nacional, caso a
PEC seja aprovada também no Senado, pode-se prever que será raro o evento no
qual o Parlamento mandará um colega responder na Justiça por possíveis
irregularidades. É também de se levar em conta que em ambientes corporativos
vige a máxima de "uma não lava outra".
A proposta de "blindagem" ganhou precedência na
oposição durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo
Tribunal Federal (STF). Outro motivo de incômodo é a investigação de possíveis
desvios de recursos nas emendas parlamentares. O ministro Flávio Dino, do STF,
mandou a Polícia Federal verificar supostas irregularidades em emendas, que
somam R$ 694 milhões em repasses da União.
Mas é preciso ressaltar que, apesar de a maioria dos votos
pela aprovação da PEC ter vindo de partidos da oposição e do centrão, alguns
deputados da base governista, inclusive do PT, votaram a favor da proposta.
Isso indica que o corporativismo e a autoproteção vão além dos limites
ideológicos.
Deputados e senadores votaram em completo desacordo com as
preocupações reais da sociedade, principalmente dos setores mais vulneráveis. É
só lembrar que, enquanto adotaram o "regime de urgência" para a PEC
da blindagem, medidas que podem beneficiar milhões de brasileiros continuam
travadas. Por exemplo, a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5
mil e a PEC da Segurança Pública.
O que foi votado tem a ver unicamente com os interesses
daqueles que aprovaram a PEC da Blindagem, ou seja, os próprios parlamentares.
Eles se autoconcederam um cheque em branco para livrá-los de qualquer problema,
presente ou futuro. Além disso, covardemente, definiram que o voto para
autorizar abertura de ações penais será secreto, escapando o dever de
transparência.
O texto segue agora para o Senado, onde terá de ser aprovado
também em duas sessões. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça,
Otto Alencar (PSD-BA), disse que no Senado a proposta não passa. Que assim
seja.

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