O filme O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho, tem a
trama embalada por uma diversificada trilha sonora
As conquistas de O agente secreto, dirigido por
Kleber Mendonça Filho, em diversas mostras de cinema ao redor do mundo, como o
tradicional Festival de Cannes, na França, e, claro, o prestigioso Globo de
Ouro, nos Estados Unidos, têm a trama embalada por uma diversificada trilha
sonora.
No decorrer do filme, ouve-se desde If you leave me
now, clássico da banda norte-americana Chicago, a Eu não sou
cachorro não, sucesso brega do saudoso cantor e compositor baiano Waldick
Soriano, que abre o repertório.
São canções que, de alguma forma, ajudaram
a narrativa da película, concorrente ao Oscar nas categorias Melhor filme,
Melhor filme internacional, Melhor seleção de elenco e Melhor ator — o
protagonista Wagner Moura.
Boa parte da trilha é original, composta e tocada pelos
irmãos recifenses Matheus e Tomaz Alves de Souza. De acordo com Kleber, O
agente secreto é um filme sobre a memória, a falta dela. Ele deixou claro, em
entrevista recente, que a intenção era ter uma trilha sonora que ajudasse a
criar "expectativas magníficas" ao mostrar o passado através de um
filme contemporâneo.
Não por acaso, incluiu no set list, por exemplo, Não
há mais tempo, na interpretação de Ângela Maria, eterna rainha do
rádio; Samba do Arpege (Waldir Calmon e Luiz Bandeira); Love
to love, com Donna Summer; e o clássico Guerra e pace, do
italiano Ennio Morricone. A elas se juntam, entre outras, Esquenta
mulher (Orquestra Maestro Nelson Ferreira) e Briga de cachorro
com a onça (Banda de Pífanos de Caruaru).
Kleber Mendonça, produtor, roteirista e programador,
desenvolve uma carreira marcada por elogios da crítica sobre filmes marcados
pelas tensões sociais urbanas e históricas do Brasil, com foco,
particularmente, em Recife, sua cidade natal.
Som ao redor foi o primeiro longa-metragem de
ficção autoral de Mendonça, lançado em 2012. Aquarius, o segundo,
estrelado por Sônia Braga, competiu pela Palma de Ouro, representando o Brasil
no Festival de Cannes de 2016.
Na sequência veio Bacurau, codirigido por
Juliano Dornelles, filme dos gêneros dama, neo-western, terror, fantasia e
ficção. Curiosamente, o título da obra tem a ver com o apelido do último ônibus
da madrugada, que trafega pelas ruas da capital pernambucana.

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