Flávio se empolga, mas falha na tentativa de parecer
moderado e esbarra na preferência por Tarcísio
Senador anunciou ser o candidato ao Planalto pelo grupo
de Jair Bolsonaro e já garantiu promessas de financiamento para a campanha
campanha, contudo, ainda tem desafios a superar para a eleição deste ano
O que no começo era um movimento para frear o avanço
político da exprimeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) e, também, um balão de
ensaio para testar viabilidade eleitoral e manter a família em evidência
começou a ganhar musculatura. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) empolgou-se
com sua pré-candidatura presidencial e passou a dar passos mais arrojados para
tentar garantir apoios e sustentação à sua pretensão palaciana. Ele procurou
empresários, agentes do mercado financeiro e foi até rezar numa igreja evangélica
em Orlando. Agora, neste janeiro de 2026, já circula na Faria Lima que o filho
zero um de Jair Bolsonaro conseguiu promessas de apoio para o cofre de sua
campanha.
Nesta quarta-feira, a Quaest divulgará uma
nova pesquisa sobre a corrida ao Planalto. Integrantes de setores econômicos e
do Centrão, que monitoram trackings permanentemente, acreditam que Flávio
consolidará seu crescimento nas intenções de voto. O levantamento testará sete
cenários com oito presidenciáveis.
Numa das checagens, mesmo com Flávio entre os nomes, o
instituto põe Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa. Põe ainda um
tabuleiro sem o filho de Bolsonaro. A decisão de incluir essas duas amostragens
é vista como um sinal de que o governador de São Paulo segue no páreo. Mesmo
deixando claro que não enfrentará o filho de Bolsonaro, Tarcísio mantém sua
presença nos debates nacionais e enfrentamento com o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
Na própria sigla, o PL, principalmente entre pessoas mais
próximas ao ex-presidente Bolsonaro, há quem avalie que Flávio age por teimosia
e nutre o pai com dados mais otimistas do que a realidade aponta. Esse grupo
considera que o senador será engolido pela rejeição, hoje maior inclusive que a
do presidente Lula, e que o maior prejudicado será Bolsonaro.
Com Lula eventualmente no seu quarto mandato, será
impossível qualquer acordo para tirar o capitão da prisão. Flávio prometeu ir
mais para o centro. Mas seu sobrenome funciona como um ímã para o radicalismo.
E ele terminou reforçando essa leitura ao sinalizar que poderia tornar o irmão
Eduardo seu ministro das Relações Exteriores. “Agora falta ele indicar Carlos
Bolsonaro para assumir a comunicação”, foi a piada que circulou entre seus
pares. Mas não foi o único ato equivocado.
Na tentativa de fidelizar o bolsonarismo raiz, também tentou
encontrar com altos representantes da Casa Branca, nos Estados Unidos, com quem
pretendia fazer fotos para demonstrar prestígio junto ao governo Donald Trump.
Voltou frustrado. Afinal, o presidente americano parece associar o sobrenome
Bolsonaro à imagem de perdedor do ex-presidente e a um sinônimo de problema até
nas terras do Tio Sam. •

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