A conta do PT não passa por ganhar em São Paulo se o
adversário for Tarcísio, cenário mais provável hoje. Passa por não perder de
muito
Lula começou
a montar os palanques estaduais para a eleição deste ano. A primeira convocação
foi feita: Fernando Haddad para perder em São Paulo. O PT sabe
que é improvável a vitória contra Tarcísio
de Freitas. Nunca ganhou no estado. Perdeu com Lula, em 1982, e continuou
perdendo com nomes estrelados, como Suplicy, Marta, Dirceu, Genoino,
Mercadante, Padilha, Marinho e com o próprio Haddad. As derrotas mostram o
tamanho da trincheira antipetista no interior paulista, situação agravada pelo
adversário, Tarcísio, que disputa com a caneta na mão e a aprovação na casa dos
60%.
A conta do PT não passa por ganhar em São
Paulo se o adversário for Tarcísio, cenário mais provável hoje. Passa por não
perder de muito em São Paulo. Para o partido, o melhor nome para uma vitória na
derrota é Haddad, que foi para o segundo turno contra Tarcísio em 2022 — até
então, o partido só tinha emplacado candidato no segundo turno em 2002 — e
venceu na capital. Um aliado de Lula lembra que ele ganhou de Bolsonaro em 2022
por pouco mais de 2 milhões de votos. Perdeu, no entanto, em São Paulo, por 2,6
milhões. Se o desempenho de Lula tivesse sido um pouco pior no maior colégio
eleitoral do país, o projeto presidencial poderia ter ido por água abaixo.
Ocorre que 2030 está logo aí, e o candidato à Presidência
pela direita, muito provavelmente, será Tarcísio de Freitas, e o do PT,
Fernando Haddad, mesmo com a torcida contrária de gente no Planalto. A conta
que os aliados de Haddad fazem é: se ele for para o sacrifício agora, com que
moral chegará à disputa de 2030, justamente contra Tarcísio? Faz tanto sentido
que muita gente no PT, de olho na sucessão de Lula em 2030, torce para que
Haddad entre agora para sair queimado amanhã.
Haddad teve duas conversas com Lula: uma no final de 2025,
outra na semana passada. Repetiu ao presidente que a eleição não está nos
planos agora — em 2018, ele cumpriu missão e concorreu com Lula preso. Mas
outro aliado de Lula dá o tamanho da pressão:
— Não tem 2030 se não tiver 2026.
Ou seja, sem a vitória do presidente neste ano, que passa
por São Paulo, a possibilidade de vitória na presidencial daqui a quatro anos,
com Haddad, é menor. Por isso não há plano B na corrida pelo Palácio dos
Bandeirantes. Não tem Alckmin, que fica na vice, nem Simone Tebet, que deve
disputar o Senado, nem Alexandre
Padilha (Saúde). É com Haddad que Lula quer ir, ainda mais num cenário
de palanques desarranjados por aí. A exemplo de Haddad, o presidente fará
outros chamados para estruturar seus palanques em Minas, com Rodrigo Pacheco,
segundo maior colégio eleitoral do país, Ceará, com Camilo Santana, e Bahia,
com Rui Costa.
Uma derrota de Haddad em 2026 não o inviabiliza em 2030,
apesar de dar discurso para Tarcísio de que o petista é freguês. Se Lula
ganhar, Haddad pode ocupar a Casa Civil e terá tempo e vitrine para trabalhar a
candidatura nacional.
O dilema do PT envolvendo o ministro, porém, aponta para
algo igualmente importante: a escassez de lideranças competitivas do ponto de
vista eleitoral sob Lula. Por isso, hoje, a tendência é que Haddad não escape
do sacrifício e entre, a contragosto, na disputa paulista.

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