Jornalista Conrado Corsalette morre aos 47 anos em São
Paulo
Ex-editor de Política no Estadão, era secretário de
Redação adjunto no Poder360. Foi cofundador e editor-chefe do Nexo Jornal
O jornalista Conrado Corsalette morreu na madrugada de
quinta-feira, 8, aos 47 anos, em São Paulo. Ele ocupava atualmente o cargo de
secretário de redação adjunto na sucursal de São Paulo do jornal digital
Poder360, foi cofundador e editor-chefe do Nexo Jornal e
editor de Política no Estadão de 2012 a 2015.
Colegas e familiares lembram não apenas seu trabalho como
jornalista dedicado e competente, mas da pessoa generosa e cativante, que fez
amigos por todas as redações que passou. Ainda não há informações sobre data,
horário e local do velório.
Corsalette começou sua carreira como repórter no
jornal Agora, onde se orgulhava de dizer que saía “para rua
com sete pautas”. No jargão jornalístico, queria dizer que investigaria sete
assuntos de uma só vez. Em seguida, no ano 2000, tornou-se repórter do Estadão,
onde ficou até 2004 - voltou ao jornal em 2012 já como sub-editor de Política.
Por sete anos, também trabalhou na Folha de S. Paulo e,
em 2015, fundou com colegas o Nexo, projeto inovador de jornalismo digital
independente, comandando a redação por quase uma década. Em 2023, lançou pela
editora Fósforo o livro Uma crise chamada Brasil: a quebra da Nova
República e a erupção da extrema direita. Corsalette era um pai
dedicado e deixa duas filhas, Antonia, de 13 anos, e Dora, de 11 anos.
“Foi das pessoas mais generosas e justas que eu conheci. Um
amigo muito alegre, cativante, entusiasmado com a vida e carismático. Era um
agregador, estava sempre pensando nos amigos e tentando ajudar as pessoas. Um
profissional com uma ética irrepreensível e um amigo muito delicado, amoroso e
engraçado”, disse ao Estadão o poeta, primo e amigo, Fabrício
Corsaletti.
O editor-executivo de distribuição, engajamento e vídeo do Estadão,
Leonardo Cruz, que foi colega de Corsalette na faculdade de jornalismo no fim
dos anos 1990, lembra que ele era “um apaixonado”. “Entrava de cabeça e coração
em todos os projetos em que se envolvia, fosse no programa de rádio que fizemos
juntos ainda na Cásper Líbero, fosse no Nexo, jornal que conduziu desde a
fundação até o fim de 2024. Um amigo de ouvido atento, de espírito brincalhão.
E um profissional que nunca perdeu a humildade nem a vontade de aprender.”
A jornalista e âncora do Jornal da Globo, Renata
Lo Prete, descreve o amigo como “um homem doce, afetuoso, solar, generoso nas
palavras, nos gestos e nos sorrisos”. Renata chefiou Corsalette na seção Painel
da Folha, onde se tornaram próximos. “Foi um ótimo jornalista e um
extraordinário colega, ensinando todo dia que nosso ofício não precisa de
mal-querer nem de agressividade para ser bem feito, mas de humildade, humanismo
e respeito aos fatos e às pessoas”, disse.
A jornalista Vera Magalhães, de O Globo, que
trabalhou com Corsalette durante a cobertura do caso do Mensalão na Folha,
o definiu como “um parceiro de trabalho leal, brilhante, que vibrava com a
notícia”.
“A cobertura frenética nos aproximou. Mas mais do que isso,
se tornou um amigo próximo, desses de trocar músicas, impressões sobre a vida e
rir junto no chope depois do fechamento. Vai fazer uma falta imensa para seus
familiares e amigos e também como jornalista, pela sua capacidade de análise
rigorosa e comprometida com a democracia e a defesa das liberdades. Está muito
difícil de assimilar essa perda completamente fora de hora”, disse ao Estadão.
Nascido em 5 de fevereiro de 1978 na cidade de Santo
Anastácio, no interior de São Paulo, o jornalista se dedicou principalmente à
cobertura política nacional. Também era músico: foi vocalista e guitarrista da
banda paulistana Portnoy, nome inspirado no autor americano Philip Roth, e
adorava jogar tênis.
“A partida do Conrado deixa a família e os tantos amigos que
ele colecionou pela vida consternados. O que posso dizer é que ele era, com
excelência, um vanguardista. Um cara ético, justo e generoso. Foi assim no
jornalismo, na música e na vida. Sempre buscou o extraordinário. Sentiremos
muito a sua falta”, disse o irmão, Caio Corsalette.
“Conrado foi um jornalista brilhante. Ética, rigor e senso
de justiça eram marcas da sua personalidade expressas no trabalho, assim como
sua gentileza e interesse pelas pessoas”, disse a cofundadora do Nexo
Jornal, Paula Miraglia. “Construir juntos o projeto do Nexo e trabalhar
juntos ao longo desses anos foi um privilégio. Esse é um momento de enorme
tristeza.”
Eduardo Scolese, editor-líder do núcleo de Diversidade,
Treinamento e Projetos Especiais da Folha, também fala da
“energia positiva” do amigo e colega. “Sou da mesma geração do Conrado e tive o
prazer de conviver com ele ao longo de anos. Cada encontro era especial, pelo
conhecimento, pelas trocas, pela generosidade, pelo afeto. Conrado foi um
jornalista incrível, uma pessoa especial, radiante.”
“Ele esteve ao meu lado na hora mais crucial da minha vida,
quando eu precisava de um jornalista de peso que pudesse assumir a Editoria de
Política do Estadão durante a minha ausência na licença
maternidade. O parça, generoso e brilhante como era, acolheu prontamente ao
chamado. Conduziu com maestria e a sabedoria que o jornalismo exigia naquele
ano de 2013, quando a história do Brasil se mostrava mais uma vez
conturbadíssima e nos jogava em uma encruzilhada", lembra a amiga Malu
Delgado, também jornalista. “Em qualquer conversa, o jornalismo virava
protagonista, mesmo sem ser convidado. Serei sempre inspirada por ele.”
Isabelle Moreira Lima, editora executiva da revista Gama e
colunista da Folha, amiga de longa data, o descreve como empolgado,
amoroso e generoso. “Era bonito ver o Conrado trabalhar, como ele levava a
sério o ofício do jornalismo, como era apaixonado e entendia a sua importância
para a democracia.”

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