Morre aos 73 anos Raul Jungmann, ex-deputado e
ex-ministro da Segurança Pública
Ao longo da carreira política, ocupou quatro ministérios,
teve três mandatos na Câmara e atualmente era diretor-presidente do Instituto
Brasileiro de Mineração. Jungmann lutava contra um câncer no pâncreas.
O ex-ministro Raul Jungmann morreu neste
domingo (18), em Brasília, aos 73 anos. A informação foi confirmada pelo
Instituto Brasileiro de Mineração, instituição da qual era diretor-presidente
desde 2022.
Jungmann lutava contra um câncer no pâncreas. Foi internado
em novembro de 2025 e chegou a deixar o hospital em dezembro. No fim do mês,
próximo ao Natal, voltou a ser internado e saiu após o Ano Novo. Ele foi
internado novamente neste sábado (17).
1º ministro da Segurança Pública
Ao longo da carreira política, ocupou quatro vezes o cargo
de ministro e teve três mandatos na Câmara dos Deputados. Durante o
governo Fernando Henrique Cardoso, esteve à frente do Ministério do
Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias.
Já na gestão de Michel Temer, comandou o
Ministério da Defesa. Em 2018, tornou-se o primeiro ministro da Segurança
Pública do Brasil.
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Ainda no governo Temer, Jungmann também foi responsável por
coordenar operações baseadas em decretos de Garantia da Lei e da Ordem
(GLO), que autorizaram o emprego das Forças Armadas em estados afetados por
crises na segurança pública.
Na juventude, militou no antigo Partido Comunista Brasileiro
(PCB). Ao longo da trajetória partidária, foi filiado ao MDB entre 1972 e 1994,
integrou o PPS até 2001, migrou para o PMDB e retornou ao PPS em 2003, no qual
permaneceu até 2018.
Três mandatos na Câmara
A projeção nacional como ministro contribuiu para sua
eleição como deputado federal por Pernambuco em 2002. Foi
reeleito em 2006 e, quatro anos depois, concorreu ao Senado, mas não obteve
êxito. Em 2012, conquistou novo mandato eletivo, desta vez como vereador do
Recife. Nas eleições de 2014, ficou na suplência para a Câmara dos Deputados.
Como deputado, foi vice-presidente da CPI dos
Sanguessugas, que apurou um esquema de corrupção envolvendo a compra de
ambulâncias. Também atuou como um dos líderes da Frente Brasil Sem Armas
durante o referendo de 2005 sobre a comercialização de armas.
Na legislatura iniciada em 2015, exerceu mandato de deputado
federal até 2016. Na oposição ao governo Dilma Rousseff, defendeu o
impeachment da presidente, processo que resultou na chegada de Michel Temer à
Presidência da República.
Também foi presidente do Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).
Jungmann chegou a ser investigado por suspeitas de fraude em
licitação, peculato e corrupção em contratos de publicidade firmados durante
sua gestão no Ministério do Desenvolvimento Agrário, que somavam R$ 33 milhões.
O inquérito foi posteriormente arquivado pela Justiça Federal.
O ex-ministro deixa dois filhos e uma neta. Velório e
cremação serão realizados em cerimônia restrita a parentes e amigos em
Brasília.
Nota do IBRAM
"Com imenso pesar, o Instituto Brasileiro de
Mineração (IBRAM) comunica o falecimento de Raul Belens Jungmann Pinto,
diretor-presidente da instituição, ocorrido em 18 de janeiro de 2026, em
Brasília. Em atenção a um desejo de Raul Jungmann, o velório ocorrerá em
cerimônia reservada a familiares e amigos próximos.
Pernambucano, Raul Jungmann dedicou mais de cinco décadas
à vida pública brasileira, atuando com integridade, espírito republicano e um
compromisso inabalável com a democracia, o desenvolvimento sustentável e o
diálogo.
Ao longo de sua trajetória, ocupou funções de grande
relevância nacional, entre elas a presidência do Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), três mandatos como
deputado federal e quatro ministérios - Política Fundiária, Desenvolvimento
Agrário, Defesa e Segurança Pública. Em 2022, assumiu a presidência do IBRAM,
liderando uma importante agenda de transformação do setor mineral, pautada
pelos princípios ESG (Ambiental, Social e Governança) e pela defesa de uma mineração
mais responsável e alinhada aos desafios do século XXI.
Sob sua liderança, o IBRAM fortaleceu seu protagonismo
institucional e seu compromisso com a legalidade, a sustentabilidade, a
inovação e o papel estratégico dos minerais na transição energética global.
Jungmann será lembrado por sua competência, visão
estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética que
deixa não apenas na mineração, mas em toda a vida pública brasileira.
Para Ana Sanches, presidente do Conselho Diretor do
IBRAM, Raul Jungmann foi um homem público de estatura singular, defensor firme
da democracia e profundamente comprometido com o Brasil e com o interesse
público. Segundo ela, à frente da Diretoria Executiva do Instituto, Jungmann
conduziu a entidade por um período decisivo, fortalecendo o IBRAM e
beneficiando todo o setor mineral, período este marcado pelo diálogo, pela
visão estratégica e pela integridade.
Seu legado constitui um marco na história do Brasil, do
IBRAM e da indústria da mineração.
Neste momento de profunda tristeza, o IBRAM manifesta
solidariedade à família, amigos e colegas de jornada, agradecendo por tudo que
Raul Jungmann representou para o Brasil, ao setor mineral e ao Instituto."

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