Lula faz reunião para azeitar combate ao crime organizado,
mas não chamou o Toffoli
Encontro juntou cúpula do governo, PF, Banco Central, PGR
e Alexandre de Moraes, do STF
Dias Toffoli altera várias vezes decisão sobre análise de
dados colhidos pela PF no caso Master
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
fez nesta quinta-feira reunião
para tratar de combate ao crime organizado. Oficialmente, o objetivo do
encontro seria o de pensar modos de azeitar a coordenação entre Receita
Federal, Polícia
Federal, Banco Central,
Ministério da Justiça, Procuradoria-Geral da República, Justiça etc.
Na área de segurança, uma iniciativa de Lula 3 que tem dado
certo, talvez a única, é o programa de asfixiar as finanças dos criminosos,
ainda no início, mas que também já expôs a Reag, gestora
de fundos e rolos, do PCC ao Master.
Uma iniciativa da Fazenda, aliás. Fernando
Haddad estava na reunião.
O BC conseguiu manter sua autoridade sobre
liquidações, apesar de assediado por parte do STF e do TCU. Sem azeitar, a
coisa não vai. Entre o povo graúdo de "o mercado", apesar do alívio
com a resistência do BC, ainda é impressão geral de que uma frente política,
financeira e econômica tenta salvar Daniel Vorcaro. Gabriel
Galípolo, presidente do BC, estava na reunião.
O Master teria sido assunto lateral do encontro, disse gente
do governo, como o novo ministro da Justiça, Wellington
Lima e Silva. A gente fica a pensar se alguém presente a essa reunião ficou
de levar um bilhete para Dias Toffoli.
Por assim dizer, trata-se do ministro do STF mais envolvido
na investigação do caso Master, banco relacionado até as entranhas com a Reag
e, muito provável, a empresários, financistas e advogados especializados na
estruturação de esquisitices financeiras e societárias.
Toffoli quis constranger um diretor do BC a ser confrontado
por Vorcaro, ex-chefe do Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.
Foi companheiro de viagem de advogado de gente do caso. Mantém sob rédea curta,
ou torniquete, informações que poderiam sangrar do caso Master. Pensou em
colocar no cofre do STF materiais colhidos sobre o Master na batida da PF desta
terça.
Cambaleante nas decisões, depois deixou o material na
Procuradoria-Geral da República, o que dificultaria a perícia do que foi
recolhido, segundo gente da PF. A propósito, ou de propósito, no final da tarde
de quarta, Galípolo encontrou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para um
abraço e um aperto de mão. O BC, convém lembrar, levantou de vez o escândalo do
Master. Nesta quinta, Toffoli
permitiu que peritos da PF examinem o que se coletou na batida.
Convém refazer esse resumo do que já é sabido, se não
cediço, pois não se vê aí azeite em relações institucionais, como quereria Lula
3. Sente-se o cheiro de óleo queimado. Decisões de Toffoli e iniciativas do
ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, causaram espanto, escândalo ou derrisão.
Depois do sururu, vieram recuos. Tem algo fora da ordem.
O ministro Edson Fachin preside o STF. Alexandre
de Moraes foi o ministro que participou da reunião de Lula. Moraes é
vice do STF, está certo. Tem experiência de promotor, de Secretário de Justiça
e também de Segurança de São Paulo, além de ter sido ministro de Justiça (de
Michel Temer).
Houve o rumor de que Moraes teria pressionado o BC a favor
do Master (pelo que deu para descobrir, perguntou a Galípolo se havia crime no
Master). De certo, vai investigar a Receita Federal, sob suspeita de vazar
dados da família dele —Robinson Barreirinhas, da Receita, estava na reunião.
Moraes vai conversar com Toffoli sobre "relações
institucionais" ou mesmo sobre a troca do óleo queimado? Alguém vai?

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