Inquérito de fraudes bilionárias do banco se tornou uma
batata quente
Corte poderia reduzir desgaste devolvendo caso à primeira
instância
O caso
Master virou uma batata quente para o STF. O melhor
caminho para a corte se livrar da encrenca seria devolver o inquérito para a
primeira instância.
O motivo pelo qual a investigação tramita no Supremo é,
afinal, fragilíssimo: o material apreendido pela Polícia
Federal traz documentos relativos a um negócio imobiliário jamais
concluído em que o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) figura como parte. Não
há, por ora, sinais de que o parlamentar esteja envolvido em malfeitorias e, se
no futuro descobrirmos que está, seria viável desmembrar o processo e remeter
ao STF só as acusações atinentes ao deputado.
Cada dia a mais que o inquérito do Banco Master permanece
no Supremo, maior é o prejuízo político para a corte. A razão principal para
isso é que pelo menos dois ministros precisariam, por qualquer critério de bom
senso, fugir até do reflexo do logotipo do banco.
O primeiro é Dias Toffoli.
Antes de assumir a relatoria do caso, ele viajou a Lima de
carona no jatinho de um empresário para assistir a uma partida de
futebol. Acompanhou-o o advogado de um dos diretores do Master. Descobriu-se
depois que parentes do ministro estiveram associados ao banco num
empreendimento hoteleiro. Decisões extravagantes que Toffoli tomou neste caso
não o ajudam a afastar suspeitas.
O outro é Alexandre de Moraes. O escritório de advocacia de
sua família manteve com o Master um contrato pelo qual receberia
astronômicos R$ 3,6 milhões mensais para defender interesses do banco.
Declarar-se suspeito para julgar um caso é com frequência um
instrumento de proteção do magistrado. É que existem situações em que não
existe possibilidade de o juiz tomar qualquer decisão sem sofrer enorme
desgaste pessoal. O melhor a fazer aí é nem julgar.
O Judiciário brasileiro é ruim. É lento, ineficaz e pouco
coerente. Se levarmos em conta o fator preço —1,43% do PIB--, é sério candidato
ao posto de pior do mundo. Se o STF insistir em ficar com o Master e todo o
passivo que vem com ele, poderá quebrar esse já superlativo recorde.

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