Atos do STF e do TCU remetem a Bolsonaro, que perseguia quem
investigava
Há boas razões para perplexidade e desaprovação diante do
inquérito aberto pelo ministro Alexandre de Moraes para investigar o suposto
vazamento de dados de familiares dele e de outros ministros
Não há uma campanha contra o Supremo ou o Judiciário, como
parte dos ministros responde à avalanche de críticas a cada nova decisão
surpreendente de um deles que é apontada, não só por adversários do mundo
político, mas no próprio ambiente jurídico, como “autodefesa”, “atuação em
causa própria”, “corporativismo” e “abuso de poder”.
O que há são boas razões para perplexidade e desaprovação
diante, por exemplo, do inquérito aberto pelo ministro Alexandre de Moraes para
investigar o suposto vazamento de dados de familiares dele e de outros
ministros por parte da Receita Federal e do Coaf.
A decisão de Moraes, sigilosa, foi “de
ofício”, sem provocação da Polícia Federal ou da PGR, e remete aos tempos em
que o então presidente Jair Bolsonaro interferia na PF, na Receita e no Coaf,
contra revelações sobre seus filhos.
As “rachadinhas” do filho 01, Flávio, hoje senador e
précandidato à Presidência pelo PL, vieram a público quando o Coaf identificou
“operações financeiras atípicas” em suas contas. Papai Jair reagiu exigindo que
os investigadores é que fossem investigados, até demitir o diretor-geral da PF.
Alexandre de Moraes e Jair Bolsonaro são opostos. Um foi
relator do STF e o outro foi o mais notório réu no julgamento que condenou e
prendeu Bolsonaro por tentativa de golpe contra a democracia e as instituições.
Como achar natural que o juiz possa fazer algo como o réu, mesmo que em
circunstâncias tão diferentes?
Moraes quer saber como a mídia teve acesso aos contratos
milionários do Banco Master com o escritório de advocacia de sua mulher. Talvez
queira também saber como “vazaram” o voo de Dias Toffoli com um advogado do
banco e as ligações de irmãos dele com um fundo do caso Master – entre outras
coisas. O que se esperava é que os ministros desmentissem ou explicassem essas
relações, não que fossem investigar, em sigilo, e usando o próprio STF, quem
contou tudo. Não matem o(s) mensageiro(s)!
Como relator do caso Master, Toffoli decretou sigilo, depois
recuou e vem deixando uma nuvem de suspeitas no ar, tal como o ministro do TCU
Jonathan de Jesus, que abriu uma crise, foi e voltou ao tentar investigar o
Banco Central depois da liquidação do Master.
Aparentemente, o foco do STF e do ministro do TCU (braço do
Legislativo) não são os bilhões desviados pelo Master, mas quem investigou e
tomou medidas. Tem algo errado aí. Aliás, o Senado vai ter de decidir:
investigar o Master, ou deixar Daniel Vorcaro e seus cúmplices em paz e pedir
impeachment de ministros do STF? Típico caso em que todos brigam e ninguém tem
razão. Poderosos, esse Master e esse Vorcaro…

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