Comissões vêm fustigando a Corte, com vazamentos de
informações e pedidos de quebra de sigilo
Prevaleceu o espírito de corpo.
Independentemente das teses jurídicas defendidas, o que se
viu no plenário do Supremo Tribunal Federal ontem foi uma irritação dos
ministros com parlamentares que comandam Comissões Parlamentares de Inquérito
(CPIs).
Nas últimas semanas, as CPIs vêm fustigando o tribunal, com
vazamentos de informações à imprensa e pedidos de quebra de sigilo. Os
ministros viram no pedido de liminar para a prorrogação da CPI do INSS a
oportunidade de dar o troco.
Foram oito votos a dois contra a
prorrogação. Com a exceção do relator André Mendonça, que concedeu a liminar, e
do ministro Luiz Fux, todos os demais votaram contra.
Coube ao decano Gilmar Mendes as críticas mais duras e
diretas. “O problema maior é a falta total de escrúpulo, porque se divulgam
dados confiados exatamente na certeza da impunidade. Foi o que ocorreu agora.
Pessoas adultas já velhas, com mais de 60 anos, entrando na sala da CPI com
óculos para depois ficar contando coisas. Isso é indigno para o Parlamento.”
Ele se referia a vazamentos da CPI do INSS, cujos servidores
efetivamente descumprem a lei. Teve muita fofoca circulando por aí sobre a vida
do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas também saíram de lá muitas informações de
interesse público.
Foi graças ao trabalho da imprensa que se soube das
conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro no dia em que o
banqueiro foi preso – diálogos ainda não explicados pelo ministro.
A CPI do Crime Organizado também está nos calcanhares do
Supremo com pedidos de quebra de sigilo da Maridt, que pertence ao ministro
Dias Toffoli, e do fundo Arleen. O fundo Arleen, do ecossistema de Vorcaro,
comprou a participação da Maridt num resort de luxo no Paraná. Ambos os pedidos
foram derrubados por Gilmar.
Para negar a prorrogação da CPI do INSS, os ministros
criaram jurisprudência diferente entre abrir CPIs e prorrogar CPIs. Nas
palavras de Moraes, abrir CPIs seria direito da minoria, já prorrogar CPIs fica
nas mãos da maioria. E o prazo de duração da comissão deve ser seguido.
Davi Alcolumbre, portanto, pode continuar quieto e
simplesmente não ler o pedido da prorrogação da CPI do INSS, o que significa
que os trabalhos se encerram amanhã.
Caberá à Polícia Federal esclarecer os descontos indevidos
nas contas dos aposentados e, principalmente, as ligações entre Fábio Luís Lula
da Silva, o Lulinha, com o Careca do INSS.
Irritado com o comportamento dos parlamentares, o Supremo
comprou o desgaste junto à opinião pública. Quem respira aliviado, por
enquanto, é o Palácio do Planalto.

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