Pleito popular por mandato-tampão repete disputa entre
lulistas e bolsonaristas
Vácuo no poder está ligado à infiltração de organizações
criminosas
Eduardo Paes pegou
o túnel do tempo, deu um rolé (carioca não dá rolê) em 1984 e voltou sonhando
com multidões. Postou nas redes fotos da campanha das Diretas Já, um dos
maiores movimentos políticos da história brasileira, que acabou frustrado no
Congresso, mas enfraqueceu a ditadura militar. Com o voto popular, o
ex-prefeito e candidato a governador do Rio de
Janeiro espera conter a infiltração de organizações criminosas nas
instituições, sobretudo na Assembleia Legislativa.
Respondendo a um pedido do PSD, partido de
Paes, o ministro Cristiano Zanin, do STF, suspendeu a realização de eleições
indiretas para escolha do substituto do ex-governador Cláudio
Castro, que renunciou para evitar sua cassação. Zanin manteve no exercício
do cargo o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto de Castro. Este
teria a responsabilidade de organizar, em maio, junto com o TRE, o pleito para
eleger o nome de quem concluirá o mandato até dezembro de 2026. O entendimento
tem o respaldo de Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino.
A situação de inconsistência jurídica ficou escancarada
depois da eleição-relâmpago, com características de golpe parlamentar, que
levou o deputado Douglas
Ruas –candidato do PL ao governo
do estado– a presidir a Alerj por poucas horas. A desembargadora Suely Lopes
Magalhães, presidente em exercício do TJ, anulou
a votação, classificando-a como "manobra", "desvio de
finalidade" e "interferência" nos ritos previstos em lei.
Nunca um mandato-tampão teve tanta relevância. Se ocorrer, o
comparecimento às urnas do terceiro maior colégio eleitoral do país será um
termômetro da campanha presidencial. De um lado, o experiente Eduardo Paes, com
apoio de Lula; do outro, o novato Douglas Ruas, ex-policial que representa o
bolsonarismo.
Nos últimos 30 anos, o Palácio Guanabara foi ocupado por
nulidades envolvidas em escândalos de corrupção, prisões e impeachment. Com as
diretas, a população, mais uma vez, poderá avaliar o custo de escolhas
descuidadas.

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