Se você acorda com a sensação de que este mundo é maluco,
tem razão. Uma das causas: o homem mais poderoso é um estúpido. Trump declarou
guerra ao Irã usando o falso pretexto de que havia ameaça à segurança
americana. A capacidade nuclear dos iranianos já tinha retrocedido décadas com
os bombardeios de junho.
Trump achou que o bombardeio levaria multidões às ruas para
derrubar a ditadura sangrenta dos aiatolás. Tremendo erro de avaliação. Ninguém
sairia às ruas para ser morto pela Guarda Revolucionária, quase ninguém se
sentiria à vontade para lutar ao lado dos Estados Unidos e de Israel,
horrorizados com a destruição de uma escola em que morreram mais de 150
crianças.
Trump diz que a guerra acabará logo porque devastou o Irã.
Os iranianos fecham o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo
mundial. Isso significa inflação e queda no crescimento em quase todo o
planeta.
Trump passa parte do tempo ora anunciando acordo, ora
proclamando vitória, numa tentativa de deter o aumento do barril de petróleo. O
pior é que já anunciou seu próximo objetivo: Cuba. Sua nova aventura será na
América Latina. Ele considerou um sucesso a incursão na Venezuela.
Sucesso pelo petróleo, fracasso pela democracia. Ficou evidente que, para ele,
não importam princípios. Qualquer ditadura favorável é melhor que uma
democracia independente.
Trump diz que, desde menino, se interessou por Cuba. Agora
quer conquistá-la e entregá-la para Marco Rubio. Filho de imigrantes cubanos,
Rubio fala fluentemente espanhol. Mas isso não o torna cubano.
A ilha não é um lugar qualquer. Apesar de haver uma ditadura
que oprime os dissidentes impiedosamente, tem experiência militar, um exército
aguerrido e uma grande parte da população ao lado do governo. Uma bomba numa
escola cubana terá uma repercussão sem precedentes.
Quando Trump se move na América Latina, o Brasil precisa se
posicionar. É difícil aceitar o bloqueio que impede a chegada de petróleo à
ilha. Os apagões atingem o povo cubano, e não seus dirigentes. No mês passado,
uma caravana de apoiadores internacionais de esquerda estava num hotel de luxo
iluminado enquanto os cubanos amargavam mais um apagão.
Artigo publicado no jornal O Globo em 31 / 03 / 2026

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