Real empenho do PSD na candidatura de Caiado será medido
pelas verbas que irão para a campanha
Critérios do financiamento público fazem com que partidos
se concentrem em eleger deputados federais
As bases do PSD, isto é, Gilberto
Kassab, decidiram que o candidato
presidencial do partido será mesmo Ronaldo
Caiado. Mas, a menos que Caiado consiga o milagre de subir rapidamente nas
pesquisas, eu me pergunto se as bases do PSD estarão dispostas a financiar
muito seriamente sua candidatura. Se há algo que mudou na política nos últimos
anos, é a estrutura de incentivos à participação em pleitos presidenciais.
Em 1989, a primeira eleição da redemocratização, 22
candidatos concorreram. Não eram obviamente todos competitivos, mas quatro
deles saíram do primeiro turno com mais de 10% dos votos válidos e oito
marcaram mais de 1%. No pleito de 2022, o total de participantes caiu para 11,
dos quais dois ultrapassaram os 10% e só quatro superaram o 1%. Está deixando
de ser interessante para partidos políticos lançar candidatos a presidente se
não tiverem chance clara de vitória.
A razão principal para isso é o
financiamento público de campanha. Depois que o STF proibiu doações
empresariais em 2015, os legisladores criaram o generoso Fundo Especial de
Financiamento de Campanha (FEFC). Para as eleições deste ano, serão destinados R$
4,9 bilhões, que são divididos entre os partidos levando em conta
principalmente o seu desempenho na eleição para a Câmara
dos Deputados. Definida a verba, cada legenda a distribui mais ou menos
livremente entre os cargos que disputará.
É um sistema
bem concentrador. Quanto mais deputados federais a sigla faz, mais rica ela
fica. E, se ela "economizar" nas disputas para presidente,
governadores e deputados estaduais, terá mais recursos para eleger mais
deputados federais e ficar mais rica. Cadeiras no Senado também
contam na definição do FEFC, mas pouco (15% contra 83%). A obsessão de partidos
pela Câmara tem bases racionais.
Neste ano, a ideia de promover o impeachment de ministros do
STF acalentada pelo bolsonarismo faz aumentar o interesse das legendas pelo
Senado, mas os outros cargos deverão continuar a amargar uma espécie de miséria
eleitoral.

Nenhum comentário:
Postar um comentário