Seu governo foi o binômio dinheiro vivo, de um lado, e
gente morta, de outro
Sem fortalecer instituições, estado está fadado a repetir
outros Castros
Com a maioria formada no Tribunal Superior Eleitoral
para condenar
à inelegibilidade o ex-governador do Rio Cláudio
Castro (PL),
na noite desta terça-feira (24) —não graças aos dois ministros indicados por
Bolsonaro, também do partido de Castro—, é oportuno fazer um balanço de sua
gestão. Duas palavras sintetizam o governo castrista: chacina e corrupção.
Seu legado se resume a ter comandado
operações policiais que mataram muita gente, sem ganho em controle de
território de facções e milícias, e a ter ganhado eleições em meio a um esquema
de saque de dinheiro público por milhares de pessoas com cargo-fantasma.
Castro no poder se baseou no binômio dinheiro vivo, de um
lado, e gente morta, de outro. Os anos Castro, se auditados, impressionariam
pelos números superlativos do vil metal e de sangue humano.
Na operação Contenção, 122 mortos, cinco deles policiais.
Foi a mais letal da história do estado e do país, mas qualificada como um
sucesso pelo ex-mandatário. Em 2025, foram 180 mortos em tiroteios na região
metropolitana do Rio, segundo o Instituto Fogo Cruzado. Ao menos 49 crianças
baleadas desde o início do governo Castro, em 2020, de acordo com a ONG Rio de
Paz.
Na Ceperj, fundação de pesquisa, 27 mil cargos temporários;
na Uerj mais 18 mil —com pagamentos em folha secreta, grande parte em dinheiro
vivo. Em oito meses em 2022, as ordens bancárias saltaram de R$ 13 milhões para
R$ 69,1 milhões.
A renúncia de Castro um dia antes do julgamento no TSE
confirma, de um lado, a falta de institucionalidade no estado em que projetos
pessoais de poder —disputar o Senado— se sobrepõem a qualquer preocupação com a
decência na condução da política; de outro, o quão delirante é preciso estar o
ocupante do Palácio Guanabara para renunciar dizendo ser uma figura respeitada
que sai de cabeça erguida.
Se o estado do Rio de Janeiro não investir para fortalecer
as instituições capazes de fiscalizar os elos políticos entre dinheiro e
sangue, estará fadado a repetir outros
Castros.

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