Escudo Gilmar evidencia a impossibilidade de que
ministros do STF sejam investigados
O acordo sério que se urde não é o de delação. É o de
empastelamento. Para que nunca saibamos o que se comprou quando comprada aquela
parte do hotel. Para que nunca saibamos o que se contratou quando contratado
aquele escritório de advocacia. (Ou aquela consultoria.) Para que nunca
saibamos do que tratavam quando tratavam sobre bloquear algo.
O caso Master bateu no teto – nas togas –
das possibilidades investigativas deste país. E a história nos ensina que aqui
paramos. O caso Master chegou ao Supremo e o Brasil voltou ao lugar em que
decidirá pela acomodação; o que significa asfixiar a investigação. Chegamos de
novo – a história se repete – a Dias Toffoli, vários “os amigos dos amigos” de
alguém que precisa ter a ação contra si bloqueada. Vários agora os que precisam
ter as ações contra si bloqueadas.
Não é a história que se repete. A história nos ensina. Não
saímos do lugar. Desse lugar tendo saído – por Dias Toffoli, para Dias Toffoli
– o inquérito xandônico onipresente e infinito. Desde esse lugar tendo se
procedido – por Dias Toffoli – à destruição de provas sobre corrupção. Dias
Toffoli é a fachada. Expressão de que o limite se aproxima.
Chegou-se ao momento em que advogado de provável delator
precisa garantir que a colaboração do cliente será “séria”. Garantia necessária
porque o banqueiro passara a testar mercados sobre a hipótese de uma delação
seletiva, poupados ministros do Supremo. Não há mesmo estímulos para que fale
de suas relações com Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Nunes Marques, membros
do tribunal que homologará o seu acordo e que o julgará. Os dois primeiros
ainda membros do clube do uísque londrino de Vorcaro, em cuja mesa também se
sentaram Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, chefes das instituições
portas-de-entrada à delação.
Não voltamos ao mesmo lugar. Nunca saímos do lugar. Não há
razões para crer em que seja séria a delação. Estão aí as gestões de Gilmar
Mendes – baixado o escudo Gilmar – para evidenciar a impossibilidade de que
ministros do STF sejam investigados. Ele tranca a Corte e manda recados. Não se
pode saber nem quanto nem de quem a empresa de Dias Toffoli recebeu em suas
transações com a teia vorcárica. Tampouco se pode saber quanto e a quem o fundo
sócio da empresa de Dias Toffoli pagou – fundo que nos levará à Reag, enredada
na Operação Carbono Oculto, sobre trânsitos entre PCC e mercado financeiro.
Mendes criou uma prevenção-puxadinho para si –
relatorblindador de tudo quanto se refira à busca por dados sobre relações de
ministros-empresários com Vorcaro. Dias Toffoli – a proteção a Dias Toffoli –
sendo apenas objeto de partida. O cerceamento à prerrogativa investigatória das
CPI, apenas parte do projeto. O recado é também ao banqueiro. Não valerá o
esforço.
Entregar políticos do centrão bolsonarista, governadores
ferrados, o PT baiano e burocratas do Banco Central é fácil – e o acordo que se
tece poderia fazer ser suficiente. A delação de Vorcaro só será séria se
detalhar também suas relações e de seus zetteis com ministros do STF. Não será.
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