As lições, ou reflexões, que a derrota de Orbán na
Hungria traz para o Brasil
A surpreendente derrota de um dos principais líderes da
extrema direita, Viktor Orbán, da Hungria, traz ao menos quatro reflexões, ou
lições, para um Brasil polarizado e em ano eleitoral. A Hungria é a Hungria, o
Brasil é o Brasil, mas as guerras políticas assolam o mundo inteiro e os
extremos avançam, ainda mais com internet e redes sociais.
Orbán “reinou” na Hungria por 16 longuíssimos anos e
tornou-se um polo de atração e inspiração da extrema direita, aliando-se a
Trump, de um lado, e Putin, de outro, inclusive para fóruns de caráter
religioso que, por exemplo, animam Trump a atacar o papa Leão XIV como “fraco”.
Por quê? Porque não é arrogante, autoritário e histriônico como ele próprio.
A primeira lição que a Hungria nos dá é que
a extrema direita não é imbatível nem eterna. Um dia, a casa cai, sob o peso
dos excessos e do autoritarismo tosco que geram indignação e manifestações por
mudanças, liberdade, democracia. Não adianta Trump enviar seus principais
assessores para interferir. Ele enviou J.D. Vance a favor de Orbán, e daí?
A segunda é o que já vivenciamos, ao deixar os 20 anos de
ditadura militar para trás: derrubar regimes autoritários não é tarefa para um
bloco só, é uma construção da esquerda, do centro e da direita mais civilizada,
ou insatisfeita, em geral dissidentes do regime – como Péter Magyar,
vitorioso na Hungria. A união faz a força.
A terceira, mais modesta, mas eficaz, é que, enquanto Orbán
gastou a campanha tentando doutrinar os húngaros com ideologia, geopolítica,
Trump e guerras, o vitorioso Magyar falou aos eleitores sobre o que realmente
lhes interessa: educação, saúde, salários, combate à corrupção e, somando tudo,
liberdade. Se vai cumprir e se vai dar certo, são outros quinhentos.
E, enfim, a quarta lição: eleição não se ganha de véspera e
nunca se pode descartar um “outsider” (ou aventureiro, em bom português) nesses
momentos de desencanto com a política, desconfiança nas instituições e
indignação generalizada.
Magyar, advogado de 45 anos, deslumbrou-se com as ideias de
Orbán desde criancinha, filiou-se ao partido dele na juventude e ocupou
posições estratégicas no regime. Sua ex-mulher e atual inimiga, a também
advogada Judit Varga, foi ministra da Justiça de Orbán.
De fiel aliado, Magyar se transformou em ferrenho opositor
e, assim, criou seu próprio partido, canalizou a insatisfação popular para as
urnas e, em dois anos, deu a cambalhota que derrubou Orbán para iniciar uma
nova era na Hungria. Qual? Não se sabe. Aliás, esse é o “x do problema” de
“outsiders” e aventureiros, não é, Wilson Witzel e Ibaneis Rocha?

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