Operação Carbono Oculto mostrou que crime organizado
criou dinâmica de paraíso fiscal dentro do Estado brasileiro
As descobertas dos investigadores vão muito além dos
setores de combustíveis, padarias e fintechs que atuam no mercado financeiro
O escândalo do Banco Master colocou
em segundo plano no noticiário os desdobramentos da megaoperação Carbono
Oculto, deflagrada em agosto do ano passado para desarticular a infiltração do
crime organizado em negócios regulares da economia formal no país.
A boa notícia é que as investigações estão avançando com a
identificação de novos setores, que vivem de perto a penetração de organizações
criminosas com esquemas cada vez mais sofisticados. A má notícia é que a
polarização política em ano eleitoral pode atrapalhar.
As descobertas dos investigadores vão muito
além dos setores de combustíveis, padarias, fintechs e outras instituições que
atuam no mercado financeiro, que já são conhecidos.
Fatos novos são esperados para breve, após a conclusão do
relatório financeiro da investigação com base na movimentação bancária do grupo
e conversões dos dados telemáticos, como mensagens, histórico de navegação,
emails armazenados e registros de localização, da instituição de pagamento BK
Bank, que fazia parte do esquema.
No caso das redes de combustíveis ligadas aos empresários
Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad, conhecidos
como Beto Louco e Primo, se sabe que já há mais de mil postos de
combustíveis envolvidos.
Uma rede tão gigantesca (palavra usada pelos próprios
investigadores) que vem surpreendendo todos os envolvidos na operação. O que
leva à conclusão de que o crime está bem mais perto de todos nós. Em alguns
casos, no posto de combustível ao lado, onde abastecemos nossos carros.
Assim como nas fraudes do Master, de Daniel
Vorcaro, a Operação Carbono Oculto mostrou que o crime organizado criou uma
dinâmica de paraíso fiscal dentro do Estado brasileiro em todos os níveis. Há
pontos de conexão entre os dois casos que serão detalhados pelos
investigadores.
Esquemas que surfam nas lacunas e brechas deixadas não só
por uma legislação frouxa e uma fiscalização insuficiente, como também por
aqueles que deveriam estar julgando os criminosos nos tribunais, mas que, na
verdade, estão ao lado deles.

Nenhum comentário:
Postar um comentário