À frente da Fazenda, Durigan afirma que cumprirá as
regras fiscais do país e que o Brasil dará exemplo de democracia na eleição
das famílias incluirá desconto na dívida, garantia do
governo e será mais simples do que foi o Desenrola. “Neste ciclo do governo do
presidente Lula, mais de 15 milhões de pessoas foram bancarizadas”. É o que
conta o ministro Dario Durigan em entrevista que me concedeu na GloboNews, na
qual falou também de política. O novo titular da Fazenda se espanta ao ver
lideranças jovens no país com “um discurso pouco republicano”. Ele se define
como um técnico que tem respeito pela política. “Vamos cumprir as regras fiscais
do país e vamos ter uma eleição sem negacionismo, uma eleição livre com
reconhecimento do resultado. O ciclo democrático ocorrerá de maneira bonita”.
A primeira entrevista exclusiva de Durigan
permite traçar o perfil do novo ministro da Fazenda, suas providências iniciais
e suas ideias. Ele considera o arcabouço fiscal um bom instrumento e rebateu as
críticas à política fiscal. Afirmou que o aumento do endividamento público o
preocupa, mas não é decorrente do déficit primário, e sim dos juros. Falou
ainda sobre o BRB, os Correios, o projeto de acabar com a declaração do imposto
de renda. O programa pode ser visto no Globoplay e a íntegra lida no meu blog
neste jornal.
Durigan está às voltas agora com duas negociações. Primeiro,
a adesão dos estados à subvenção aos importadores de diesel, com o custo
dividido entre a União e os estados até maio. No acordo anunciado por ele
ontem, os poucos que não aderiram ainda poderão entrar. Mas adverte que o
diesel pode ser mais caro nos estados que não concordarem com o plano.
— É uma guerra distante do país, talvez alguns políticos da
oposição a apoiem por terem uma espécie de devoção ao governo norte-americano,
mas a gente protege o interesse nacional.
A outra negociação é a do programa contra o
superendividamento das famílias. Durigan acredita que em dez dias deve estar
pronto. As provisões feitas pelos bancos contra as dívidas não pagas serão
parte da redução do endividamento. Com base nisso, haverá descontos nas dívidas
e o governo dará garantia para o débito restante. Algumas instituições pediram
a suspensão do IOF para os endividados de mais baixa renda, mas diz que não é
simpático à ideia.
Dario Durigan disse que o problema do BRB está sendo tratado
entre banco e o Banco Central e nega que haja um debate sobre federalização. O
governo federal participa indiretamente.
—O Banco do Brasil e a Caixa podem comprar carteiras do BRB.
O Tesouro está dando ok à venda das carteiras que tenham o seu aval. Mas não
haverá intervenção federal.
O novo ministro tem o projeto de acabar com a
obrigatoriedade da declaração do Imposto de Renda. Ele avalia que isso é
possível diante do avanço da digitalização.
— A diretriz para a Receita Federal é que a gente acabe com
a declaração do Imposto de Renda. O nosso sistema bancário, as nossas
obrigações, as das empresas já são todas digitais. Temos que construir um
sistema para que as pessoas eventualmente entrem lá e deem o ok.
Quando perguntei sobre as críticas ao desempenho fiscal da
atual gestão e ao aumento da dívida pública, ele respondeu de forma direta.
— O resultado fiscal de 2023, 2024, 2025 e 2026 não é
responsável pelo aumento da dívida. Simples assim. A gente está diminuindo
estruturalmente o déficit e hoje ele está muito próximo de zero. O que responde
ao aumento do endividamento é a taxa de juros, que não é causada pelo excesso
de gastos do governo.
Ele admite que o problema dos Correios se agravou, mas disse
que a empresa vai implementar seu plano de ajuste, que pode incluir associação
com empresas privadas. Perguntei sobre as pressões políticas por mais gastos
neste ano eleitoral. Durigan defendeu a política.
— Eu gosto da política. Eu sou um ministro técnico, mas
muito aberto e simpático à política. É importante que uma pessoa jovem ( o
ministro tem 41 anos) dê um exemplo diferente de algumas lideranças da
juventude que pregam muita violência, desrespeito com um discurso não
republicano. Eu valorizo o diálogo racional e transparente. Houve a luta pela
democracia e, por isso, eu cresci num ambiente muito positivo de país. Vou
cumprir meu dever de resguardar as contas públicas, ao mesmo tempo em que a
gente vai dar exemplo de como a democracia é importante para o país.

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