Messias enfrentou sentimento anti-STF, calendário
eleitoral e hostilidade de Alcolumbre
Ao presidente, resta agora tentar alguma medida de
impacto antes da eleição, como fim da escala 6x1
A derrota por larga margem na indicação de Jorge Messias para
o STF (Supremo Tribunal Federal) deixa dúvidas sobre a capacidade de reação do
governo Lula e abre perspectivas sombrias para a campanha eleitoral que se
avizinha.
Messias foi vítima do fato de ter sido escolhido na hora
errada. Como mostrou a sabatina para lá de cortês na Comissão
de Constituição e Justiça, o indicado não desperta resistências de caráter
pessoal. É educado, afável e tem jogo de cintura política.
Por
diversas vezes na longa sessão, buscou estabelecer relação de empatia,
mesmo com os mais barulhentos opositores. Não se abalou nem com as provocações
do verborrágico Magno Malta (PL-ES).
A Eduardo Girão (Novo-CE), um
ultraconservador de costumes, disse que tinha respeito pela causa que ele
defende, da vida desde a concepção. "Assistolia fetal é abominável",
disse o sabatinado ao senador.
O indicado, no entanto, remou contra a maré –não, uma mas
três simultaneamente, e a pororoca no fim o derrubou.
A mais intensa onda era a do sentimento anti-STF, que vive uma
das maiores crises de sua história, certamente a pior desde a redemocratização.
Se não é possível neste momento punir Alexandre de Moraes,
como querem os bolsonaristas, ou Dias Toffoli e Gilmar Mendes, como desejam
inclusive setores de centro, Messias deu para o gasto.
Sem ter relação direta com o inquérito das fake news ou o
caso Master, ele pagou pato, como se sua rejeição fosse uma espécie de
impeachment genérico de membros da corte.
Também sofreu as consequências do calendário eleitoral. A
cinco meses do primeiro turno de uma disputa apertadíssima, sua derrota virou
um troféu importante para os antilulistas.
Embora obviamente não seja determinante para o resultado
eleitoral em si, dá uma injeção de ânimo na oposição e aumenta exponencialmente
a crise no governo, que perde credibilidade e qualquer condição de ditar a
agenda política.
Se até Dilma Rousseff, uma presidente com aversão ao jogo
político, conseguiu aprovar a indicação de Edson Fachin para o STF em 2015, às
portas do impeachment, o que dizer de um fracasso de Lula?
A imagem que fica é de um governo paralisado, sem
articulação política, com um presidente em fim de carreira.
Por fim, e ainda mais distante da alçada direta de Messias, houve
o fator Davi Alcolumbre. O indicado teve o azar de pegar pela frente um
presidente do Senado com
uma agenda de obstrução a seu nome, para dizer o mínimo.
O fracasso tem alguns sócios, além do Executivo e do novo
ministro. Fachin perdeu um aliado na luta interna para criar um manual de
conduta para os membros da corte.
André Mendonça, que atuou fortemente para diminuir
resistências entre conservadores, seguirá como o solitário representante
terrivelmente evangélico no STF. Jamais saberemos que tipo de aliança ele
poderia formar com seu irmão de fé originário da esquerda.
Quanto a Lula, sobram agora dúvidas sobre como conseguirá
aprovar alguma agenda positiva antes do início da campanha, como o fim da
escala 6x1 e o programa de redução do endividamento.
Pior ainda, sua biografia agora inclui ter se juntado a
Floriano Peixoto como presidente que teve um indicado para o STF rejeitado pelo
Senado.

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