Como se não houvesse amanhã, governo de plantão e
Congresso usam período para acelerar benesses
Há quatro anos, no dia 14 de abril, manchete da Folha
estampava: 'Bolsonaro decide dar aumento de 5% a servidores e militares'
Está inaugurada a temporada das bondades eleitorais. O
governo de plantão e o Congresso usam esse período para acelerar a adoção de
benesses como se não houvesse amanhã.
Essa não é uma ação particular do governo Lula. Uma pesquisa
simples das manchetes dos jornais deste mesmo período do ano, em 2022, mostra
medidas adotadas pelo então presidente Jair
Bolsonaro para angariar apoio à sua reeleição.
Há quatro anos, no dia 14 de abril,
manchete desta Folha estampava: "Bolsonaro
decide dar aumento de 5% a servidores e militares".
Bolsonaro não ganhou a eleição, mas usou a máquina estatal
para tentar sair vitorioso na disputa com Lula. Conseguiu que o Congresso
aprovasse uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que se transformou num
pacote de bondades ao custo total de R$ 41,25 bilhões.
A emenda ficou conhecida como PEC
Kamikaze pelo seu impacto negativo nas contas públicas, ao estabelecer
um aumento de R$ 400 para R$ 600 no valor do Auxílio
Brasil —substituto do programa Bolsa Família—,
dobrar o valor do vale-gás e criar um auxílio para caminhoneiros e também para
taxistas.
Por essa e outras medidas, os aliados de Flávio Bolsonaro
que trabalham na assessoria econômica da sua campanha não conseguirão mudar a
história ao vociferarem que Bolsonaro, o pai, fez diferente.
A trilha eleitoral do ex-presidente foi a de abrir a
torneira. Salvo alguns instrumentos diferentes adotados, o foco das medidas foi
muito parecido com o que é feito agora no Lula 3.
Poucos duvidam, inclusive, que o governo Lula achará um
jeito de elevar o número de beneficiários do Bolsa Família.
Lula está dividindo as medidas estrategicamente. O
presidente anunciou o aporte
de R$ 20 bilhões para programas de habitação. Na véspera, o anúncio foi
a ampliação
do programa Gás do Povo.
Até o dia 4 de julho, quando ficam vedadas nomeações,
exonerações e contratações, assim como a participação em inauguração de obras
públicas, muita água vai rolar. Falta maturidade eleitoral ao Brasil.

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