No Congresso, o filho do ex-presidente nunca foi um
defensor desse tipo de política durante a gestão do seu pai
Propostas para ajuste de contas são granada no pé de um
candidato
O senador Flávio
Bolsonaro (PL)
não resistiu a 24 horas de ajuste fiscal nas redes sociais. Pré-candidato à
Presidência da República, chamou de fake news reportagem da Folha de
que fará um ajuste inicial da ordem de dois pontos percentuais do PIB, caso
seja eleito.
Para isso, teria como planos
reajustar aposentadorias e despesas com saúde e educação só pela inflação.
O senador esqueceu de combinar o jogo com a equipe a cargo
do seu programa econômico. Em busca de apoio, seus assessores têm passado para
a Faria Lima e setores empresariais a mensagem de que ele seria o ministro da
tesourada das despesas.
O próprio pré-candidato vem se vendendo
como salvador das contas públicas em contraponto a Lula, apontado como
presidente gastador.
As propostas de ajuste têm sido detalhadas nos bastidores,
como antecipou o jornalista Fernando Canzian na reportagem que incomodou, pois
atiçou os lulistas.
Não é fake news. São consideradas pela sua equipe a
desvinculação de despesas com saúde e
educação e a separação entre a política
de aumento real do salário mínimo de trabalhadores na ativa e os
reajustes da Previdência e do BPC. A desindexação é a mais difícil das medidas.
A negativa do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro revela
que propostas de ajuste fiscal são uma granada no pé de um candidato.
No Congresso, Flávio nunca foi um defensor do ajuste fiscal
durante a gestão de seu pai. A chamada PEC "DDD" (Desobrigar,
Desindexar, Desvincular), apresentada em 2019 como solução para as contas
públicas pelo ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, não teve apoio do
bolsonarismo, além de palavras de ordem vazias em favor da responsabilidade
fiscal.
Jair Bolsonaro rejeitou acabar com abono salarial, um
benefício sabidamente ineficiente, e patrocinou a PEC Kamikaze, com custo de
bilhões
Se o 01 de Bolsonaro diz que é fake news, terá que falar de
viva voz o que pretende fazer para ajustar as contas. Do contrário, ou está
vendendo gato por lebre para o mercado ou está fazendo estelionato com
eleitores.

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