Líder americano achou que o explosivo tabuleiro de xadrez
da guerra contra o Irã seria um jogo de damas
Com Netanyahu, alguém ainda acredita nas fantasias de
dois Estados e devolução de territórios ocupados?
Estados
Unidos e Israel, nas
figuras abomináveis de Donald Trump e Binyamin
Netanyahu, estão transformando o mundo num lugar ainda mais perigoso para
se viver. Sim, isso é possível. Os dois têm muitas coisas em comum, nenhuma
delas animadoras: são autoritários, expansionistas, imperialistas, racistas
(por que não dizer?) e não medem consequências em busca de seus objetivos.
Enquadram-se perfeitamente na categoria de lideranças
fascistas contemporâneas. "Ah, mas isso não é igual ao que aconteceu nos
anos 30"... Bem, não estamos nos anos 30 do século passado. Falamos do
conceito do século 21. É duro e triste dizer que um político que comanda Israel
veste bem esse perfil fascista, mas lamentavelmente é o caso.
Trump entrou no segundo conflito com
o Irã atraído
pelo colega israelense. Ao que parece partiu para um explosivo tabuleiro de
xadrez achando que seria apenas um jogo de damas. Quebrou a cara.
É óbvio que os EUA têm poderio militar –como aventou o
próprio autocrata da Casa Branca– para destruir o Irã e a civilização persa.
Mas as coisas não são assim. Não bastam ameaças
por mais criminosas que possam ser. Americanos já foram derrotados em
guerras envolvendo adversários menos poderosos, caso do Vietnã e do
Afeganistão. Os iranianos defendem-se com as armas que têm, e entre elas não
consta nenhum artefato nuclear. Drones baratos, mísseis, caos regional e fechar
Hormuz são o arsenal utilizado.
A guerra é, repita-se, bem mais de interesse de Netanyahu do
que dos EUA. Não há nenhuma ameaça do Irã aos americanos. Para Israel, trata-se
de uma força regional que atrapalha o projeto, que parece ser o grande plano de
seu governo, de expandir fronteiras e incorporar territórios.
O que está em cena, ao que tudo indica, é mais uma escalada
de Netanyahu em busca da nação expandida, o Grande Israel. Ou alguém acredita
ainda numa agenda de dois Estados, devolução de territórios e outras fantasias
já soterradas? É bem mais factível a busca por novas anexações, Líbano, Síria e
por aí vai.
Um Irã forte é uma grande barreira a esse intuito, daí a
necessidade de enfraquecê-lo, mesmo que lançando mão de mentiras e agressões
injustificadas.
Sim, não se deve esquecer o atentado terrorista do Hamas,
que tem suporte iraniano, de 7 de outubro de 23. É difícil contudo usar essa
data como marco zero, apesar dos esforços de alguns. O conflito, todos sabemos,
vem de longuíssima data. E as chances de que possa chegar a bom termo são
nulas.
A reação absolutamente desproporcional nesta etapa recente
nos oferece uma série repulsiva de crimes de guerra cometidos por Netanyahu e
com apoio da extrema direita de seu país, em mal disfarçados delírios
teocráticos e genocidas.
Também é possível falar em crimes de guerra de Trump,
comandante de forças que, por exemplo, bombardearam uma escola no Irã,
resultando em horrível matança de crianças.
A aventura de EUA e Israel no Irã é de uma
irresponsabilidade a toda prova. Uma ameaça ao mundo, desde o aspecto econômico
ao humanitário, sem mencionar o caos geopolítico e a perda de capacidade de
negociação global.
Talvez o que reste da democracia americana imponha um freio
a Trump, sob pena de perda eleitoral no meio de mandato e um impeachment. A
ver.

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