Ministros do STF acreditam que relator das investigações
sobre o Master poupará colegas
A pergunta que paira sobre Brasília é: qual o tamanho da
delação de Daniel Vorcaro? Ao mesmo tempo, outra dúvida ronda o Supremo
Tribunal Federal (STF): André Mendonça vai partir com tudo para cima dos
colegas nas investigações sobre o Banco Master, ou vai poupá-los?
A resposta à primeira dúvida ainda é desconhecida. Vorcaro
segue negociando a colaboração premiada com a PF e a PGR. Gente com acesso ao
caso acredita que a delação ficará pronta a partir de maio, margeando o
processo eleitoral.
Ainda assim, não faltam especulações nos
bastidores do Supremo sobre qual fatia das acusações será dedicada a
integrantes da Corte. Parte dos ministros aposta que Mendonça não deixará de
homologar a delação de Vorcaro se o banqueiro pegar leve com membros do
tribunal.
O cálculo seria o seguinte: dos três ministros que surgiram
até agora no caso Banco Master, dois são ligados a Mendonça. O terceiro pode
ser mais atingido pelas investigações a depender dos próximos capítulos.
Kassio Nunes Marques, que também foi indicado por Jair
Bolsonaro para o STF, é dos principais aliados ideológicos de Mendonça hoje na
Corte. Em outra frente, os dois comandarão o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
nas eleições deste ano – Nunes Marques como presidente; Mendonça como vice.
Dias Toffoli é amigo de Mendonça. Ministros consideram
improvável que o relator do caso Master dificulte ainda mais a situação do
colega no desenrolar das investigações.
Resta Alexandre de Moraes, que não é amigo nem aliado de
Mendonça. Integrantes do tribunal acreditam que, embora esteja fortalecido com
a relatoria de dois processos-bomba – o escândalo do Master e as fraudes do
INSS –, Mendonça não teria poder suficiente para sustentar a briga com Moraes.
A situação mudaria a depender do avanço das investigações –
isto é, se aparecerem implicações mais graves contra os ministros. Nesse caso,
o sossego de Moraes ficaria comprometido, com chance de respingo para Toffoli e
Nunes Marques.
Na avaliação de um integrante da Corte, para manter o
protagonismo recém-alcançado, Mendonça terá de apresentar um resultado
impactante das investigações sobre o Master – mas a conta de sobrevivência
política dentro do tribunal impedirá que a entrega seja do tamanho desejado
pela opinião pública.
Em tempo: enquanto Vorcaro negocia com PF e PGR, a delação
sobre fraudes do INSS avança e pode ser concluída antes, segundo
investigadores. O caso tem potencial de aumentar a projeção de Mendonça. E,
também, de municiar a oposição em ano eleitoral, já que um dos alvos é o
empresário Fábio Lula da Silva, filho de Lula.

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