Bolsonaro exaltou política de Trump que prendeu Ramagem
Ex-deputado estava na lista da Interpol, mas se julgava
imune à polícia migratória dos EUA
Em janeiro de 2025, pousou em Manaus o primeiro avião com
brasileiros deportados pelo governo de Donald Trump.
Os imigrantes viajaram algemados e acorrentados, mesmo sem histórico criminal.
Questionado sobre o assunto, Jair
Bolsonaro disse que o republicano estava “fazendo a coisa certa”. “No
lugar dele, eu faria o mesmo”, defendeu.
Quinze meses depois, um aliado do capitão caiu na rede do
ICE. Alexandre
Ramagem foi preso, fichado e recolhido a uma penitenciária em Orlando.
Segundo as autoridades americanas, ele desembarcou com visto de turista e
ignorou o limite de seis meses de permanência no país.
Ramagem não é um bolsonarista qualquer.
Chefiou a Abin, elegeu-se deputado e disputou a Prefeitura do Rio com apoio do
clã. No ano passado, o Supremo o condenou a 16 anos de cadeia por tentativa de
golpe.
Dias antes do julgamento, o valentão escapuliu do país para
não ser preso. Foragido, perdeu o passaporte diplomático e o mandato
parlamentar.
O ex-delegado não foi solidário com os comparsas da trama
golpista. Enquanto capitão e generais puxavam cadeia no Brasil, ele curtia o
sol da Flórida. Vivia com mulher e filhos numa casa de cinco quartos, situada à
beira de um lago e avaliada em R$ 4,5 milhões.
Apesar da fuga, continuava com prestígio na ultradireita
nativa. No mês passado, desfilou como anfitrião de Flávio Bolsonaro na CPAC,
onde o senador pediu à Casa Branca que interfira na eleição brasileira.
A prisão de Ramagem teve lances de anedota. Ex-chefe do
serviço de inteligência, ele se deixou flagrar com documento vencido na terra
do Pateta. Estava na lista da Interpol, mas julgava-se imune à polícia
migratória.
Na segunda-feira, os bolsonaristas espalharam a falsa versão
de que o ex-deputado teria sido detido por uma infração de trânsito. Agora
tentam apresentá-lo como perseguido político. A conversa não deve convencer os
agentes do ICE, acostumados a tratar latino-americanos como lixo a ser varrido.
Para escapar da deportação, Ramagem precisa torcer por um
socorro de Trump. Mas o presidente americano parece ocupado com outros
afazeres, como as ameaças ao Irã e a cruzada contra o Papa.

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