Angelita Gama, cirurgiã referência no tratamento do
câncer de reto no Brasil, morre em SP
Uma das cientistas mais premiadas do país, ela estava
internada desde o dia 6 de maio no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, instituição da
qual fazia parte do corpo clínico desde 1980.
A cirurgiã Angelita Habr-Gama, uma
das maiores referências mundiais em coloproctologia (que estuda as doenças do
intestino grosso, do reto e ânus) e no tratamento do câncer de reto,
morreu no sábado (30) em São Paulo.
O velório foi realizado na Faculdade de Medicina da USP das
15h às 19h deste domingo (31).
Uma das cientistas mais premiadas do país, ela
estava internada desde o dia 6 de maio no Hospital Alemão Oswaldo Cruz,
instituição da qual fazia parte do corpo clínico desde 1980.
Natural da Ilha do Marajó (PA), ela foi a primeira mulher a
se tornar professora titular de uma especialidade cirúrgica na Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e a primeira brasileira aceita como
membro honorário da centenária American Surgical Association.
Angelita presidiu inúmeras sociedades científicas e foi
reconhecida pela revista Forbes como uma das mulheres mais influentes do
Brasil.
Em 2022, ela foi reconhecida pela Universidade de Stanford
(EUA) como uma das médicas que mais contribuíram para o desenvolvimento da
ciência, ficando entre os 2% de cientistas que mais se destacaram mundialmente.
A médica publicou centenas de trabalhos científicos, ganhou
mais de 50 prêmios nacionais e internacionais, foi nomeada coordenadora no
Brasil do Programa de Prevenção do Câncer Colorretal pela Organização Mundial
de Gastroenterologia (OMGE) e fundou a Associação Brasileira de Prevenção do
Câncer de Intestino (Abrapreci).
Em nota, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz informou estar
"profundamente consternado com esta perda irreparável para a medicina
brasileira" e destacou seu legado.
Em nota, a Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo manifestou pesar pelo falecimento da profissional. Veja nota na
íntegra abaixo:
"Pioneira da coloproctologia no Brasil e referência
mundial no tratamento do câncer de reto, a Profa. Angelita construiu uma
trajetória marcada pela excelência acadêmica, pela inovação científica e pela
dedicação à formação de gerações de médicos. Foi a primeira mulher a realizar
residência médica em cirurgia no Hospital das Clínicas da FMUSP, a conquistar o
cargo de Professora Titular de Cirurgia do Departamento de Gastroenterologia da
FMUSP e a chefiar os Departamentos de Cirurgia e de Gastroenterologia da
Faculdade de Medicina da USP.
Graduada, doutora e livre-docente pela FMUSP, criou a
Disciplina de Coloproctologia do Hospital das Clínicas da FMUSP e liderou
avanços que transformaram o diagnóstico e o tratamento das doenças colorretais,
projetando a medicina brasileira no cenário internacional. Sua produção
científica, amplamente reconhecida, e sua atuação em sociedades médicas
nacionais e internacionais consolidaram seu papel como uma das mais importantes
cirurgiãs de sua geração.
Neste momento de tristeza, a FMUSP se solidariza com
familiares, amigos, colegas, alunos e todos aqueles que tiveram o privilégio de
conviver com a Profa. Angelita Habr-Gama, expressando sua mais profunda
admiração e gratidão por sua contribuição extraordinária à medicina, à
universidade e à sociedade".

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