terça-feira, 30 de junho de 2026

A COPA DERROTOU A POLARIZAÇÃO

Eliane Cantanhêde, O Estado de S. Paulo

O desânimo foi substituído por festa e otimismo, com o amarelo dominando estádios lá e cidades cá

Sim, a seleção do Brasil venceu até aqui não só os adversários, mas também a exaustiva polarização política, devolvendo a camisa e as cores verde e amarela para todos os brasileiros. Chegamos às oitavas de final com os estádios americanos e as cidades do nosso país dominados pelo amarelo vibrante, que é de nós todos e ninguém tasca.

A Copa de 2026 pegou o Brasil e os brasileiros desanimados com Ancelotti, a seleção, a saúde do Neymar, as ausências de Endrick, tudo isso em meio a uma montanha de denúncias de corrupção e muita gente temerosa de usar a nossa camisa para não ser confundida com um lado da polarização.

O clima mudou dentro e fora de campo e o amarelo está de volta com toda a força que o mundo reconhece e nós, brasileiros, temos de honrar, inclusive votando com consciência, informação e segurança. E a eleição não é só para presidente, minha gente!

Quem viu o estádio de Houston todo amarelo para a sofrida, mas linda, vitória de virada do Brasil sobre o Japão não identificou, ali, quem vota em Bolsonaro, Lula, Caiado, Zema, Renan ou qualquer outro.

Como também não identificou nas festas de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife e no País inteiro, depois do passe de Bruno Guimarães e do gol espetacular de Gabriel Martinelli, que salvou o Brasil já nos acréscimos.

É disso que o Brasil precisa: disciplina, estratégia, força, garra, fé, civilidade nas disputas e união soberana contra times, governos e ameaças externas. A seleção canarinho ainda tem imensos desafios nesta Copa,

mas já é um ótimo exemplo.

É preciso superar a polarização e discutir política com racionalidade, vasculhar biografias, técnicos, equipes, cobrar propostas factíveis, planos concretos de governo e, depois, ganhe quem ganhar, ficar em cima para fiscalizar.

Os brasileiros que metem a camisa verde-amarela, que nos deu tantas alegrias em nossa história, também devem vestir a camisa contra a corrupção que corrói nossa confiança e compromete o futuro. Ela não é exclusividade de um lado ou de outro – e está vencendo o jogo.

Os escândalos do Banco Master, do INSS, das Americanas

e o do banco Digimais, de Edir Macedo, que nem sabíamos que existia, confirmam as premissas. Sem falar na infiltração das organizações criminosas nas instituições.

A mesma camisa que é contra tudo isso é a favor das nossas vitórias, como foi com Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto no Oscar e com nossos atletas em Olimpíadas e Paraolimpíadas e em cada campeonato de ginástica, vôlei, basquete, skate e das nossas meninas do próprio futebol... Temos muito a combater, mas é bom ter também o que comemorar.

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