O desânimo foi substituído por festa e otimismo, com o
amarelo dominando estádios lá e cidades cá
Sim, a seleção do Brasil venceu até aqui não só os
adversários, mas também a exaustiva polarização política, devolvendo a camisa e
as cores verde e amarela para todos os brasileiros. Chegamos às oitavas de
final com os estádios americanos e as cidades do nosso país dominados pelo
amarelo vibrante, que é de nós todos e ninguém tasca.
A Copa de 2026 pegou o Brasil e os brasileiros desanimados
com Ancelotti, a seleção, a saúde do Neymar, as ausências de Endrick, tudo isso
em meio a uma montanha de denúncias de corrupção e muita gente temerosa de usar
a nossa camisa para não ser confundida com um lado da polarização.
O clima mudou dentro e fora de campo e o
amarelo está de volta com toda a força que o mundo reconhece e nós,
brasileiros, temos de honrar, inclusive votando com consciência, informação e
segurança. E a eleição não é só para presidente, minha gente!
Quem viu o estádio de Houston todo amarelo para a sofrida,
mas linda, vitória de virada do Brasil sobre o Japão não identificou, ali, quem
vota em Bolsonaro, Lula, Caiado, Zema, Renan ou qualquer outro.
Como também não identificou nas festas de São Paulo, Rio,
Belo Horizonte, Recife e no País inteiro, depois do passe de Bruno Guimarães e
do gol espetacular de Gabriel Martinelli, que salvou o Brasil já nos
acréscimos.
É disso que o Brasil precisa: disciplina, estratégia, força,
garra, fé, civilidade nas disputas e união soberana contra times, governos e
ameaças externas. A seleção canarinho ainda tem imensos desafios nesta Copa,
mas já é um ótimo exemplo.
É preciso superar a polarização e discutir política com
racionalidade, vasculhar biografias, técnicos, equipes, cobrar propostas
factíveis, planos concretos de governo e, depois, ganhe quem ganhar, ficar em
cima para fiscalizar.
Os brasileiros que metem a camisa verde-amarela, que nos deu
tantas alegrias em nossa história, também devem vestir a camisa contra a
corrupção que corrói nossa confiança e compromete o futuro. Ela não é
exclusividade de um lado ou de outro – e está vencendo o jogo.
Os escândalos do Banco Master, do INSS, das Americanas
e o do banco Digimais, de Edir Macedo, que nem sabíamos que
existia, confirmam as premissas. Sem falar na infiltração das organizações
criminosas nas instituições.
A mesma camisa que é contra tudo isso é a favor das nossas
vitórias, como foi com Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto no Oscar e com
nossos atletas em Olimpíadas e Paraolimpíadas e em cada campeonato de
ginástica, vôlei, basquete, skate e das nossas meninas do próprio futebol...
Temos muito a combater, mas é bom ter também o que comemorar.

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