E se o filho de Jair se mostrar um cavalo paraguaio
(aquele que sai na frente e não aguenta o trote)? E se ele ganhar? Fará um
governo de revanche, na mesma linha do Trump 2.0?
E se Flávio
Bolsonaro acabar derrotado? E se o filho do Jair se mostrar um cavalo
paraguaio (aquele que sai na frente e não aguenta o trote)? Existem outras
perguntas: e se ele ganhar? Fará um governo de revanche, na mesma linha do
Trump 2.0? Terá autoridade para evitar que seu irmão, Eduardo, venda o Brasil
aos americanos? Afinal, o negócio está claro: Trump ajuda Flávio na eleição e
então cobra o preço. Depois do Pix (olha o Zelle aí...) e das terras-raras,
devidamente elencadas, poderia ser a Amazônia. Ou a Petrobras.
O apoio à candidatura de Flávio já sai caro a seus
mantenedores. Medidas como os tarifaços 1 e 2 e a classificação das agremiações
criminosas PCC e CV como terroristas causam prejuízos financeiros às empresas.
A começar pela turma do agro, que deve se perguntar: até quando a ojeriza
a Lula compensa
a sangria provocada pelos Bolsonaros? Entra na mesa a fatura posta pelo
patriarca de Rio das Ostras ao escolher o filho e não o governador de São
Paulo, Tarcísio de Freitas. Ele joga com os seus, não para seu grupo político.
Daí que o ungido traz defeitos de origem.
Não tem ajudado. Sua imagem não tem a nitidez do pai, radical assumido,
misógino e ignorante em matemática. Esperto ao menos: com vários casamentos no
currículo, conseguiu arrebanhar os pastores evangélicos que, em troca, ganharam
várias isenções fiscais. Ficou claro que preferem ter seu paraíso em vida e não
depois da morte. Bolsonaro, ao contrário do filho, se mostrou autêntico: fez da
escalada de horrores sua plataforma política — vide as saudações sinceras à bandidagem.
O filho, não. Age com a espontaneidade do caixa eletrônico.
Diante da revelação de sua ligação com Vorcaro, de imediato tratou de negá-la.
Para abraçá-la pouco depois. Melhor fez Valdemar Costa Neto ao admitir que o
jovem Bolsonaro foi buscar a parte final do dinheiro ao visitar Vorcaro já em
prisão domiciliar. É nessa admissão que a direita deixa seu jogo mais claro. O
custo de face dos Bolsonaros mostra-se oneroso. São muitos imóveis comprados em
pagamentos em espécie, variadas rachadinhas, muitas condecorações a milicianos
e infinitos rastros para manter um sangue do meu sangue no exterior.
Valdemar, com a direita, faz cálculos. Até o momento, não
está enroscado com as mesadas do Master. Ciro Nogueira, presidente do PP, está
mais perto da Papuda que da doce Courchevel; Antonio Rueda, comandante do União
Brasil, também tem o que temer. Valdemar sorri.
O cálculo: a derrota de Flávio soa melhor que uma hipotética
vitória. Com a vitória, viriam corpos e fantasmas no armário bolsonarista — e a
fatura americana. E o PT, Valdemar, que já foi seu aliado, sabe administrar
melhor na oposição. O naufrágio do jovem senador significaria a transformação
do capital político da família em somente uma franja na extrema direita.
Portanto sem força para fazer biquinho e querer ditar os rumos da direita
civilizada.
Quanto a Lula, friamente, será seu último mandato. Dentro de
um governo premido pela urgência de um ajuste fiscal, atolado num déficit
precificado em altos juros e na necessidade desagradável de realizar um novo
aperto na Previdência. Como as tendências do PT se comportarão quando o aumento
de aposentadorias e do salário mínimo ocorrer apenas pelo índice inflacionário?
Em 2030, Lula irá para casa, enquanto seus correligionários
continuarão atrás de votos. Será um deus nos acuda, em que a direita espera ver
o Lula 4 emparedado para executar reformas que evita encarar desde seu primeiro
mandato, em 2003. É uma tese.
A disparada nos juros futuros exibe a desconfiança
matemática sobre a próxima administração petista. Valdemar e a turma da Faria
Lima observam o dado cru: pela primeira vez na História, o país ultrapassa a
marca de R$ 1 trilhão em juros nominais num período de 12 meses. Em miúdos, no
primeiro quadrimestre de 2026, são R$ 351,5 bilhões, ou perto de R$ 3 bilhões
por dia. Dados do BC.
Sou paulistano e conheço políticos como Valdemar, que
preferia Michelle, e não o filho de Jair. Ele sabe que a eleição de 2030 será a
primeira sem Lula no tabuleiro. Depois de um governo difícil, a direita aposta
num horizonte com um PT desmilinguido e o bolsonarismo atolado em processos
criminais. Caso haja dúvidas, observe o entusiasmo de Tarcísio ao apoiar o
Flávio. Não chamo aquilo de amor.

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