Antigamente, os bandidos americanos vinham se refugiar na
South America, leia-se o Rio
Hoje é o contrário; nossos bandidos escapam da lei
brasileira e se refugiam nos EUA
O cinema americano
clássico tinha uma fórmula infalível para evitar que seus vilões mais
simpáticos fossem presos no fim do filme e pagassem por seus crimes. Era só
filmá-los atravessando um marco —a fronteira— onde se via, ao lado de um
pujante cacto e de um sujeito roncando sob um sombrero, uma placa dizendo
"México". Ou seja, passando para o lado de lá, não apenas os bandidos
americanos se viam livres da Justiça como se refugiavam num país habituado a
abrigar bandoleiros e que os tratava muito bem. Os mexicanos, como é natural,
se magoavam com aquilo.
Uma saída mais sofisticada era fazer com
que os bandidos fugissem na cena final para a South America, leia-se o Rio, a
única cidade que eles conheciam. Um dos primeiros e ainda o melhor filme a
mostrar isso foi "O Homem que se Vendeu" ("The Great
McGinty"), de 1940, de Preston Sturges. Trata de dois políticos, Brian
Donlevy e Akim Tamiroff —um que nunca foi corrupto exceto por um minuto e outro
que sempre foi, exceto também por um minuto—, que escapam da lei e vêm ser
felizes como garçons num botequim carioca.
Referências ao Brasil como um paraíso para foragidos eram
tão comuns no cinema que Ronald Biggs, autor do famoso assalto a um trem
pagador inglês em 1963, acreditou nisso, veio para cá e se deu muito bem,
queridíssimo em Santa Teresa. Tivemos também nazistas, mafiosos, ditadores e
toda sorte de pilantras, nem tão queridos.
Mas isso foi naquele tempo. Hoje, o contrário é que não para
de acontecer. Brasileiros com contas a ajustar com os tribunais, muitos já
condenados, se escafedem e vão para os EUA —Flórida
ou Texas—, onde vivem do dinheiro que recebem do Brasil e têm aberta proteção
do governo americano. Os mais notórios, você sabe: Eduardo Bolsonaro, Alexandre
Ramagem, Allan dos Santos. Mas há também influencers, foragidos do 8/1 e
ex-agentes da PF particular de Bolsonaro.
Hei, uma ideia: que tal filmes brasileiros sobre os nossos
patriotas de araque e golpistas que vão se esconder debaixo da gravata de
Trump?

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