Morre, aos 62 anos, o jornalista Baptista Chagas de
Almeida
Ex-editor de Política do Estado de Minas foi um dos mais
influentes colunistas de Minas Gerais
Faleceu nesta quarta-feira (17/6), aos 62 anos, em Belo
Horizonte, Baptista José Patrus Chagas de Almeida, um dos mais importantes
jornalistas da imprensa mineira, que construiu sua carreira nos Diários
Associados, onde foi editor de Política no Estado de Minas,
mantendo uma coluna diária. Atuou também como editor no “Correio Braziliense”.
Natural de Belo Horizonte e formado em jornalismo pela
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Baptista começou
sua carreira como estagiário do Estado de Minas, aos 20 anos. Depois tornou-se
repórter, editor-assistente, editor de Política e colunista, cargo que o
projetou definitivamente no cenário da cobertura dos bastidores do poder, área
em que deixou sua marca registrada.
Assinou durante cerca de três décadas a coluna “Em dia com a
política”, na qual analisava os fatos mais importantes do poder em Minas e no
Brasil, trazendo sempre informações exclusivas, com uma dose de humor e ironia.
Era conhecido entre os repórteres, principalmente pelos
“focas”, termo usado para definir os iniciantes na profissão, pelas inúmeras
fontes, informações exclusivas, texto impecável, memória excepcional, paixão
pela literatura e pela música e gentileza no trato cotidiano.
Formou inúmeros profissionais, sempre com paciência e boas
dicas, entre eles um de seus filhos, o jornalista João Henrique Almeida, que
também trabalhou no Estado de Minas e hoje é repórter, comentarista e
apresentador da rádio 98 FM.
Baptista era casado com a educadora Maria Angélica Almeida,
com quem teve três filhos, Pedro Gabriel, Mateus e João Henrique, e quatro
netos.
“Meu pai sempre foi uma pessoa que conquistava todos e de
diferentes formas, por sua inteligência, educação, irreverência e lealdade.
Deixa um legado gigantesco para a nossa família e amigos. Na profissão, foi e é
exemplo para muitos jornalistas. Ainda é comum ouvir de colegas jornalistas a
frase: ‘O Bapt é o melhor editor que já tive’. Concordo e completo: é o melhor
pai e melhor amigo”, disse João Henrique Almeida.
“Baptista foi um dos profissionais mais brilhantes com quem
já trabalhei. Sua força de trabalho era absurda. Sua dedicação, seu
profissionalismo o fizeram um dos mais talentosos jornalistas da nossa geração.
É uma perda enorme para o jornalismo mineiro”, afirmou Josemar Gimenez de
Resende, presidente dos Diários Associados e diretor de Redação do Estado de
Minas quando Baptista exerceu o cargo de editor de Política.
“Além das qualidades conhecidas por todos os profissionais
com quem trabalhou, Baptista se destacava pelo tom de humor e de ironia que
empregava para comentar os fatos, tornando a cobertura de política menos sisuda
e mais atraente para o leitor”, lembrou o atual diretor de Redação do EM,
Carlos Marcelo Carvalho, que também trabalhou com o jornalista. “Incansável.
Admirável. Baptista foi um grande mestre na redação”, afirmou Renata Neves,
editora-executiva do Estado de Minas.
Políticos
Para o deputado federal e ex-governador Aécio Neves (PSDB),
Minas Gerais perdeu “um de seus mais bem informados jornalistas políticos”.
“Durante anos, a coluna ‘Em dia com a política’, assinada por Baptista Chagas,
que, mesmo na função de editor jamais deixou de ser exímio repórter, foi
referência para quem buscava informação de qualidade e análises precisas da
política nacional e em especial, de nosso estado. Perde o jornalismo mineiro e
eu perco um amigo. Em meu nome e de minha família, deixo meu abraço solidário a
seus familiares, colegas e amigos”, disse Aécio, também presidente nacional do
PSDB.
O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas
Gerais (TCE-MG) Alencar da Silveira Júnior, ex-deputado estadual, também
lamentou a passagem do “repórter mais bem informado da imprensa mineira”. “A
gente ficava em dia com a política mineira lendo sua coluna 'Em dia com a
política'”, afirma o conselheiro, que foi vereador e deputado estadual durante
36 anos.
O também ex-deputado e conselheiro do TCE-MG Agostinho
Patrus disse, por meio de nota, que “Baptista marcou época em Minas Gerais e em
Brasília, com suas emblemáticas colunas políticas”. Segundo ele, Minas, o
jornalismo brasileiro e a família Patrus “perdem hoje uma grande pessoa”. “Ele
cativava fontes, escrevia com irreverência e conquistou gerações de leitores
com seu talento. Um amigo para todas as horas. Seu legado permanecerá para
sempre conosco”, disse o conselheiro, também primo do jornalista.
O ex-procurador de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares
(PSB), pré-candidato ao governo de Minas, também lembrou a trajetória de
Baptista e disse que ele marcou época no jornalismo mineiro. “Astuto,
inteligente, responsável, bem informado, guardava ainda assim um toque de
ironia, beirava a picardia. Era a forma sutil que tinha para criticar. Fui
vítima da sua verve muitas vezes, mas sempre entendi como um recado de um bom
jornalista, de alguém maior do que eu. Amadureci com isto”, afirmou.
A presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de
Minas Gerais, Lina Rocha, destacou a trajetória do jornalista e lembrou que
sempre lia suas colunas para se inteirar dos bastidores da política no estado.
“Não o conheci pessoalmente, só pelas suas colunas sempre recheadas de
informações exclusivas, mas sei que era admirado e muito querido pelos
repórteres que trabalhavam com ele, prova inequívoca de que era um editor muito
bom em todos os quesitos.”
A causa da morte não foi divulgada pela família. O velório
está marcado para as 11h desta quinta-feira e o sepultamento, para as 15h no
Cemitério Bosque da Esperança.
DEPOIMENTOS
“Dono de uma memória fenomenal, Baptista Patrus Chagas de
Almeida era capaz de ouvir uma fonte sem escrever uma única palavra e
reproduzir o que lhe era dito com a maestria e fidelidade que o tornaram um dos
maiores repórteres de política da sua geração. Reconhecido pelo mundo político
de Minas Gerais, Baptista era habilidoso em apurar informações que lhe valeram
muitas colunas de análise, pautando o meio político da capital mineira. Como
editor de Política do Estado de Minas, coordenou com tranquilidade toda uma
equipe de profissionais, sempre ensinando e corrigindo de forma a permitir a
evolução dos profissionais.”
Marcílio de Moraes
Subeditor de Política/Economia do Estado de Minas
A memória brilhante, o pensamento e a escrita ágeis e o
bom humor eram marcas registradas de Baptista Chagas dentro e fora da redação
do Estado de Minas. Durante uma década e meia, sentado bem ao lado dele, pude
acompanhar essa destreza incansável para conseguir o furo jornalístico, as
novidades diárias do mundo político para a sua coluna na página 2, uma das mais
nobres do jornal. Tinha o jornalismo na veia e dessa forma contribuiu para a
formação de um número incontável de repórteres. Baptista deixa a lição do
compromisso incondicional com a notícia.”
Paulo Nogueira
Subeditor de Política/Economia do Estado de Minas
“Baptista foi um dos principais nomes do jornalismo
político de Minas durante décadas. Sempre bem informado e com muitas fontes,
era brilhante no que fazia, como colunista e como editor de Política. Amava a
profissão como poucos. Vai deixar muita saudade.”
Renato Scapolatempore
Editor de Política/Economia do Estado de Minas, que trabalhou com Baptista
Chagas por quase 20 anos
“Com o perdão do clichê, o Baptista era um animal
político. Inteligente, tinha faro para perceber o ‘lado oculto’ das
articulações no mundo do poder. A política, na verdade, estava no sangue: era
primo do ex-prefeito de BH Patrus Ananias, deputado federal pelo PT; sobrinho
de Agostinho Patrus (1939-2008), que presidiu a Assembleia Legislativa de Minas
Gerais e comandou várias secretarias em Minas; primo de Agostinho Patrus Filho,
também ex-presidente daquela Casa. O raciocínio rápido, a facilidade para escrever
e o talento para organizar edições, sobretudo aquelas maiores e mais complexas,
eram características dele. Chefe boa-praça, tinha espírito boêmio. Nunca vou me
esquecer de seu bordão: ‘Qual é a da night?’, que, hoje, certamente viraria
meme.”
Ângela Faria
Editora-assistente de Cultura do Estado de Minas, foi subeditora quando
Baptista comandou a editoria de Política do jornal

Nenhum comentário:
Postar um comentário