O psicopata condenado a 43 anos de prisão foi chamado
pela imprensa de Dr. Jairinho
Seria como se os assassinos da menina Isabella Nardoni
fossem tratados por Aninha e Alex
Há dias, terminou
no Rio o julgamento do assassinato do menino Henry Borel, torturado e
morto aos quatro anos em 2021 por seu padrasto, o ex-vereador e médico Jairo
Souza Santos, sob a omissão de sua própria mãe, Monique
Medeiros. Ele pegou 43 anos de prisão; ela, a quem se devia a proteção do
filho, 1 ano e quatro meses, e mesmo assim a juíza a mandou para casa. É quase
intolerável saber a que essa criança foi submetida durante um mês inteiro até
sua morte. Apesar disso, durante todo o processo, Jairo Souza Santos foi
chamado pela imprensa por seu meigo apelido de "Dr. Jairinho". Tal
tratamento provoca revolta ou asco?
Em 1992, também no Rio, a atriz Daniella
Perez, 22 anos, foi assassinada por seu colega Guilherme de Pádua e pela
mulher dele, Paula Thomaz. Ainda insuspeito, Pádua, incrivelmente, juntou-se ao
luto da família. Não me ocorre que tenha sido tratado por "Gui" no
noticiário, como Daniella talvez o fizesse. Em 2002, em São Paulo, Suzanne
von Richthofen urdiu com o namorado Daniel Cravinhos e o irmão deste,
Cristian, a morte de seus pais enquanto dormiam. Nem por isso Suzanne tornou-se
Suzy.
Também em 2002, numa favela carioca, o jornalista Tim
Lopes foi capturado, torturado e morto pelo traficante Elias Pereira
da Silva e seus cúmplices. O corpo foi coberto de pneus, a que se jogou
combustível e se pôs fogo, num processo chamado de "micro-ondas".
Elias era famoso como "Elias Maluco", não como Eli.
Em 2008, também em São Paulo, Isabella
Nardoni, cinco anos, foi agredida pela madrasta, Anna Carolina, e atirada
do 6º andar por seu pai, Alexandre Nardoni. Por sorte, eles não se tornaram o
casal Aninha e Alex, como os amigos deviam chamá-los. E, em 2012, igualmente em
São Paulo, o executivo Marcos Matsunaga foi morto com um tiro por sua
mulher, Elize. Teve o corpo dividido em sete partes e estas, levadas em
malas e espalhadas pela região de Cotia. Mas Elize continuou Elize, não Ize.
Já o psicopata Jairo Souza Santos foi reduzido ao singelo
diminutivo "Jairinho".

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