Líder do partido Missão e do MBL tem 6,9% das intenções
de voto no primeiro turno
Ele traz o DNA da nova direita de dizer o que pensa
Neste ano, um nome ainda desconhecido da maioria dos
brasileiros roubou o protagonismo de Lula e Flávio Bolsonaro. Se sobreviver à
campanha, Renan Santos, líder do partido Missão e do MBL, terá se
tornado um político influente —e talvez presidente da República.
Renan defende causas impopulares, mas o caso Master abriu
para ele uma avenida de oportunidades para se apresentar ao eleitor.
Um banqueiro vive como príncipe, tendo desviado R$ 60
bilhões e aliciado para a operação aliados nos três Poderes. Enquanto isso, o
país se vê travado pela polarização, há uma sensação geral de insegurança e
milhões de brasileiros recorrem a aplicativos de transporte e entrega para
trabalhar.
Rosto desconhecido do brasileiro comum até
o ano passado, Renan atingiu em maio 6,9% das intenções de voto no primeiro
turno, isolado em terceiro lugar, segundo a pesquisa Atlas
Intel/Bloomberg. Como?
Renan e seus aliados vêm sendo testados em ameaças,
cancelamentos e ataques bolsonaristas, especialmente desde que o MBL defendeu
o voto
nulo na eleição de 2022. Essa experiência impulsionou a coleta de quase 600
mil assinaturas para a fundação do partido —e treinou o atual pré-candidato a
se comunicar com clareza e contundência sobre seus planos para o Brasil.
Outra arma do Missão é a coesão da militância. O movimento
vende assinaturas da Valete —a
segunda revista de cultura em número de assinaturas no país, depois da Piauí.
Dali emergem diagnósticos e propostas do partido. Esse espaço de debate forma
quadros articulados, que influenciam amigos e parentes.
Renan tem uma personalidade
original: é músico competente, tem uma banda chamada Limão Rosa, é fã de
Ayrton Senna e Bob Dylan e traz o DNA da nova direita de dizer o que pensa, doa
a quem doer.
Sua campanha navega a favor dos algoritmos das redes.
Oferece comentários políticos diários em lives, e a militância é estimulada a
fazer cortes desse material —um esforço remunerado pelo YouTube.
Renan está viajando de carro pelo país, e o movimento
transforma entrevistas em rádios e o registro de problemas locais em conteúdo
que circula nacionalmente.
Ele tem propostas polêmicas. Prega medidas
radicais de enfrentamento ao crime organizado, denuncia o balcão de
negócios do centrão e defende a desobediência ao Supremo para resgatar as prerrogativas
do Executivo.
Em live recente, Eduardo Bisotto, uma das vozes da
pré-campanha, católico, fumante, desbocado e analista político
experiente, apresentou o movimento como "a direita dos
fodidos". Eles têm o perfil do antigo militante de esquerda: jovem,
urbano, com formação universitária, movido pelo idealismo.
O Missão entende que seu caminho para a glória passa por
participar dos debates na TV. E, se serve de paralelo o exemplo colombiano —que
levou ao segundo turno o candidato sem experiência política e com propostas
radicais de enfrentamento ao crime organizado—, a banda Limão Rosa, com o
vocalista presidente, pode encabeçar o show de posse no Brasil. Depois disso,
estaremos em águas inexploradas.

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