Polícia Federal avança em investigações sobre o Master
por causa de celulares apreendidos
Por excesso de confiança, criminosos juntam eles mesmos
as provas que poderão condená-los
Apesar de não haver ainda nenhuma delação premiada
envolvendo o caso Master, a PF vem avançando a passos largos nas investigações.
O senador
Jaques Wagner, petista de escol e ex-governador da Bahia, foi tragado para
o centro do escândalo. Um pouco antes, descobrimos que Hugo
Motta, o presidente da Câmara, também foi paparicado por Daniel
Vorcaro, tendo usufruído de uma daquelas viagens nababescas bancadas pelo
ex-banqueiro.
Sobrou até para a própria PF, pois ficamos
sabendo que as organizações Master pagavam
mesada de R$ 400 mil a um grupo de agentes e ex-agentes que se encarregavam de
informar a família Vorcaro do andar das investigações. E essa é só uma versão
muito sucinta de revelações dos últimos dias.
Antes disso, o caso Master já provocara abalos ainda mais
profundos. A credibilidade do STF escoou pelo ralo com detalhes do
relacionamento de Vorcaro com ministros da corte. Flávio Bolsonaro pode ter
perdido de véspera a eleição com o áudio em que pede milhões de dólares ao
mecênico ex-banqueiro para financiar o filme Dark Horse.
Como a PF avançou tanto se ninguém ainda recorreu à delação
premiada? A resposta está nos celulares apreendidos. Esses aparelhinhos se
tornaram a perdição de criminosos, que se encarregam eles próprios de produzir
e armazenar as provas que irão mais tarde condená-los. E às vezes até se gabam
de seus feitos.
Não dá para dizer que seja só ignorância. Ao menos em
instantes críticos, os suspeitos recorreram a sistemas de criptografia e outros
estratagemas para evitar a autoincriminação. Mas, por uma combinação de
autoconfiança excessiva com falta de familiaridade com a tecnologia, não
tiveram sucesso. Deixaram de observar até procedimentos básicos para
delinquentes, como desabilitar o backup automático.
Qual é o motor da história? Para Hegel, era o Espírito
Absoluto; para Marx, a luta de classes. Penso que a hýbris, a soberba, explica
muito mais, do naufrágio do Titanic à campanha russa de Napoleão, passando
pelas indiscrições de Daniel Vorcaro.

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