A boa notícia é que Nunes Marques não teve o apoio
automático de seus pares no tribunal eleitoral
Será péssima notícia se o colegiado resolver prestar um
desserviço à liberdade de opinião
A boa notícia é que os ministros do Tribunal
Superior Eleitoral não se alinharam automaticamente a Kássio Nunes
Marques na decisão que cria um precedente para a censura
não só às pesquisas de intenções de votos, mas a análises dos responsáveis
pelos institutos sobre o conteúdo dos levantamentos.
Se tivessem aderido aos argumentos do presidente do TSE,
daqui em diante estariam vetadas as explicações sobre o significado dos números
e proibidas quaisquer referências a informações conhecidas na metodologia de
captação de tendências do eleitorado.
Na sustentação da tese de que houve indução
indevida na consulta, Nunes
Marques incluiu entrevista em que o presidente do AtlasIntel, Andrei
Roman, interpretava os dados da pesquisa, note-se, depois da divulgação. Ou
seja, persuasão a posteriori.
O instituto explicou inúmeras vezes que o áudio de Flávio
Bolsonaro (PL)
pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro foi mostrado depois do questionário sobre
intenção de voto, sem possibilidade de mudança de opinião. Não houve
interferência nem o uso de material de origem duvidosa. A conversa estava no
celular de Vorcaro apreendido pela polícia.
Além disso, o dado principal —a perda de adesão à
candidatura de Flávio Bolsonaro— foi confirmado, e até ampliado, por pesquisas
de todos os institutos. Portanto, não se pode falar em manipulação das opiniões
captadas pelo AtlasIntel.
Interferência no processo eleitoral houve sim, mas por parte
do ministro Nunes Marques. Indução à opinião do público também é de autoria
dele, na apresentação de alegações falaciosas e da distorção da realidade
naquilo que está parecendo afã de agradar o filho de quem o indicou para o
Supremo Tribunal Federal.
A decisão pegou mal até no STF e será uma
péssima notícia se o colegiado do TSE embarcar na onda persecutória e
intervencionista que presta desserviço às liberdades de ação e opinião e fica a
serviço de quaisquer partidos, políticos e autoridades do Judiciário aos quais
desagradem os resultados das pesquisas.

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