O técnico Carlo Ancelotti, em um dos momentos da sua chegada
ao Brasil: “É 100% certo de que não sou um gênio e também é 100% certo de que
não sou um tonto”. É importante cairmos na real e olharmos um pouco para trás e
enxergarmos a precariedade resultante da politicagem que tem presidido o nosso
órgão máximo do futebol – CBF, que vive à sombra da falta de transparência e do
cartolismo arraigado e maléfico.
Para chegarmos ao atual técnico, tivemos outros 3
treinadores nesta fase de preparação, sendo dois deles interinos como Ramon
Menezes e Fernando Diniz para chegarmos a Dorival Júnior que teve uma breve
passagem. Esta sucessão de técnicos, demonstra instabilidade e de falta de
planejamento por parte do órgão responsável pela nossa seleção, o que ajuda-nos
a compreender o porquê do nosso insucesso nesta disputa da copa, pois não há
lugar para improvisos ou amadorismo numa competição do porte de uma copa do mundo.
Veja-se o exemplo de países emergentes no
futebol, como o Japão e as seleções de países africanos que têm os seus
treinadores à frente das suas seleções há bastante tempo, no caso do país
oriental, há oito anos treinando a equipe japonesa, só para ficar neste
exemplo.
Nosso caso não é falta de talento dos nossos jogadores, pois
eles estão brilhando nas maiores equipes de futebol do mundo. A questão é de
uma estratégia clara, estabilidade no comando da nossa equipe e fatores
extracampo.
O futebol e a nossa seleção são patrimônios nacional e
isto não tem haver apenas com a Confederação Brasileira de Futebol – CBF, e
isto requer uma atitude mais proativa por parte da nação brasileira, nesse
sentido o governo nacional, deveria despachar o seu ministro dos esportes para
chegar junto aos nossos dirigentes desportivos e chamar o feito à ordem,
firmando um pacto com a CBF, visando renovar e arejar as Diretrizes para a
nossa seleção principal e as Diretrizes para o futebol brasileiro, visando corrigir
as conhecidas debilidades e construir um robusto conjunto de Diretrizes para a
nossa seleção, patrimônio nacional e dos nossos clubes profissionais.
Não se trata de ingerência do governo nos órgãos dirigentes
de futebol, mas de uma atitude, no momento em que todo o povo brasileiro vive a
frustração por repetidos fracassos da sua seleção mais vencedora do mundo,
“afinal somos os únicos penta campeões do mundo” e alguém tem que chamar o
feito à ordem – repito.
Como o próprio Ancelotti falou que é certo de que ele não é
gênio, não é razoável que diante de tanta improvisação e cartolagem, um técnico
que chegou apenas há um ano de antecedência para a copa, viesse fazer milagres!
*Ex-prefeito do Cabo e de Jaboatão, ex-secretário
de Justiça e Direitos Humanos de PE

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