Flávio Bolsonaro trata Brasil como uma peça a mais no
mapa da ultradireita
Candidato do PL vai à Argentina bajular Milei e promete 'equipe de transição' a Trump
Em visita à Argentina, Flávio
Bolsonaro festejou as eleições recentes que redesenharam o mapa
político das Américas. O senador enumerou 13 países que dobraram à direita nos
últimos anos, dos Estados Unidos de Donald Trump à
Colômbia de Abelardo de la Espriella.
“Nós somos a peça que falta nesse mapa”, disse, em evento
promovido no domingo por uma entidade pró-Israel em Buenos Aires. “O Brasil
será o próximo”, prometeu.
O candidato do PL exaltou o anfitrião Javier Milei,
que deu as costas ao Mercosul e congelou as relações com o Brasil. Deixou de
dizer que o aliado está com a popularidade em baixa e enfrenta uma série de
escândalos de corrupção. Um deles acaba de derrubar seu chefe de gabinete,
acusado de enriquecimento ilícito.
Ao celebrar a vitória de Keiko Fujimori no Peru, Flávio
criticou a esquerda local por contestar o resultado e alegar fraude sem provas.
Esqueceu o exemplo do próprio pai, que atacou a urna eletrônica e estimulou o
golpismo após a derrota de 2022.
O senador ainda afirmou que a Venezuela vive “dias melhores”
desde a operação militar americana que prendeu Nicolás Maduro. Como ele não
disse uma palavra sobre os terremotos que devastaram o país na semana passada,
ficou evidente que sua solidariedade com os venezuelanos começa e termina nas
eleições.
Flávio foi à Argentina para fugir da crise instalada em sua
campanha. Não resolveu os problemas domésticos e emitiu novos sinais de alerta
a quem se preocupa com a política externa do Brasil.
Em carta divulgada na sexta-feira, Marco Rubio mostrou
entusiasmo com o senador e agradeceu a “generosa oferta” de, se eleito, montar
uma “equipe de transição” para despachar com os americanos.
A ideia remete ao governo de Jair, que trocou a diplomacia
independente pelo alinhamento automático a Washington. O Itamaraty foi entregue a um chanceler exótico, que venerava Olavo
de Carvalho e pregava a submissão à Casa Branca.
O discurso na Argentina e a correspondência com Rubio
sugerem que Flávio vê o Brasil como uma peça a ser encaixada no mapa da extrema
direita global. Ou como mais um peão no tabuleiro de Trump.

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