É impossível olhar para uma das maiores tragédias a
golpear a América do Sul e não sentir empatia pelos venezuelanos.
Imagine estar em casa e ser surpreendido por dois terremotos
de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter (aberta, raramente chega a 9). Você e
sua família conseguem sair pouco antes de seu lar desabar, levando não apenas
os bens materiais, mas também sonhos, planos e memórias. De repente, você está
na rua, sem comida, sem dinheiro e sem saber como refazer sua vida. Ainda
assim, sente-se sortudo demais: seus vizinhos morreram, alguns amigos estão
desaparecidos e você ainda consegue abraçar e beijar sua esposa/marido e seus
filhos. Agora, tudo o que mais deseja é ajudar e ser ajudado.
É impossível olhar para uma das maiores
tragédias a golpear a América do Sul e não sentir empatia pelos venezuelanos.
Quem não consegue ou é desprovido de coração ou é egoísta demais para se
preocupar com o próximo. Nos últimos dias, uma corrente de solidariedade expôs
o que há de mais nobre no ser humano. Na quinta-feira, antes de o estado
litorâneo de La Guaira — o mais afetado pela catástrofe — ser militarizado,
milhares de venezuelanos deixaram Caracas e se dirigiram à região com doações e
nada mais do que as mãos prontas para remover escombros.
A comunidade internacional também deu uma prova de irmandade
e de compaixão com uma nação que atravessa uma crise política e econômica sem
precedentes. Equipes de socorristas e toneladas de mantimentos saíram de
Turquia, Jordânia, Brasil, El Salvador e México, em uma união de esforços para
salvar vidas. Especialistas levaram à Venezuela cães farejadores, perfuradores
e outros equipamentos capazes de vasculhar escombros.
As redes sociais transformaram-se em um impressionante
serviço de utilidade pública. Por meio delas, fotografias de desaparecidos e
telefones de contatos de familiares se espalham, assim como pedidos de doação
de sangue ou de mobilização de voluntários. Nesse ambiente virtual, pessoas
também informam sobre paradeiros de moradores das regiões afetadas.
Além dessa corrente poderosa de solidariedade, é preciso que
diferenças ideológicas sejam deixadas de lado. Os Estados Unidos precisam
suspender imediatamente todas as sanções financeiras aplicadas a Caracas. Não
se trata mais de diplomacia, mas de humanidade. O governo de Donald Trump
precisa entender que qualquer medida capaz de asfixiar a economia será como que
mais uma pedra sobre os escombros da Venezuela.
Levantem todas as sanções, apoiem os venezuelanos de todas
as maneiras possíveis, reforcem o envio de ajuda humanitária. Vocês capturaram
Nicolás Maduro, venderam esperança para o povo venezuelano. Agora, têm a
obrigação moral de socorrer uma nação castigada por uma catástrofe histórica.
Neste momento, tudo o que é importa são mãos e olhar que salvam. Empatia em
primeiro lugar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário