Lula corre para entregar obras e chama lei eleitoral de 'papagaiada'
Presidente faz maratona de inaugurações e reclama de
limites ao uso da máquina
Aconteceu ontem em Luís Gomes, município de 9 mil habitantes
no interior do Rio Grande do Norte. Na correria para entregar obras no limite
do prazo legal, Lula inaugurou um túnel de irrigação sem uma gota d’água.
“Cadê o dono da empresa que fez esse túnel?”, perguntou, do
alto do palanque. O presidente disse que programou a viagem para ver a água
chegar, mas “houve um erro de cálculo”. “E esse erro de cálculo fez com que eu
chegasse aqui e a água ainda não chegou”, justificou-se.
O atraso frustrou o petista, mas não constrangeu seus
áulicos. O ministro Waldez Góes disse que o povo da cidade deveria “olhar para
o céu e agradecer a Deus e a Lula”. O prefeito Carlos Augusto de Paiva, o
Tututa, descreveu a visita presidencial como uma “dádiva”.
Na segunda parada, Lula pousou em
Quixeramobim, no Ceará. Inaugurou um trecho da ferrovia Transnordestina, que
havia prometido concluir em 2010. Em nova sessão de elogios, foi saudado pelo
senador Camilo Santana como “o maior presidente da história deste país”.
O petista terminou o dia em Juazeiro do Norte, onde entregou
ambulâncias e ônibus escolares. Por volta das 20h, reclamou que ainda não havia
tido tempo para almoçar.
No discurso, enumerou feitos, comparou-se a Getúlio Vargas e
perguntou se algum outro governante é “mais respeitado hoje no estrangeiro”. A
claque não teve dúvidas. Empolgada, a prefeita de Brejo Santo, Gislaine Landim,
estimulou o público a cantar o jingle de 1989: “Vamos lá: Lula lá, brilha uma
estrela...”.
Nos últimos dias antes do chamado defeso eleitoral, o
presidente fez uma maratona de viagens para inaugurar obras e lançar programas.
Em clima de campanha, usou as cerimônias oficiais para elogiar a própria
gestão, renovar o estoque de promessas e sugerir que merece mais um mandato.
Ao inaugurar o túnel sem água, ele se queixou da lei que
proíbe novos anúncios oficiais nos três meses que antecedem a eleição. Definiu
a regra, que limita o uso da máquina pública por candidatos à reeleição, como
uma “papagaiada desgraçada”.

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