A PF enviou para a presidência do STF pedido de inquérito
contra Lulinha sob um novo relator
A Polícia Federal tentou dar um drible no ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e retirar da sua batuta as
investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do
presidente Lula.
Nas apurações do caso do INSS, cujo relator é Mendonça, os
investigadores descobriram as ligações de Lulinha com Antonio Carlos Antunes,
conhecido como o “Careca do INSS”.
E, lá no meio, estava também uma suspeita de tráfico de
influência do filho do presidente Lula a favor do canabidiol junto ao
Ministério da Saúde. Antunes chegou a levar Lulinha numa viagem a Portugal
sobre o tema.
É praxe em investigações policiais surgirem
procedimentos autônomos, vinculados ao eixo principal. Só nos casos Master e
INSS, as duas investigações mais polêmicas hoje, chegam a quase 200 inquéritos
diferentes.
Sem consultar Mendonça, a PF decidiu que Lulinha merecia um
tratamento especial e enviou para a presidência do STF um pedido de abertura de
inquérito sob um novo relator. Nas férias do presidente do tribunal, Edson
Fachin, quem assume o posto é o primeiro-vice-presidente, o ministro Alexandre
de Moraes.
Moraes enviou o tema à Procuradoria-Geral da República
(PGR), que não se opôs à escolha de um novo relator. Assim, o inquérito sobre
Lulinha partiu para um sorteio. Por aquelas ironias do destino, o sorteado foi
o próprio Mendonça. O drible quase funcionou.
Os embates entre a PF e Mendonça nas investigações do INSS
não vêm de hoje, mas chegaram ao ponto mais tenso do jogo. Já foram trocados
pela cúpula da instituição três delegados que conduzem o caso e um perito.
Pessoas que acompanham o assunto de perto dizem que são evidências de pressão
política, mas a PF nega.
Mendonça fez uma reclamação formal sobre a morosidade das
apurações e a falta de informações sobre o caso nos autos, e cobrou
imparcialidade. Recebeu um relatório de oito páginas e voltou a protestar. A PF
reagiu e enviou um pedido à Advocacia-Geral da União (AGU) para que encontre um
“remédio jurídico” para frear a atuação do ministro e o que considera uma
interferência na autonomia da instituição. Mendonça foi indicado para o STF
pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O jogo é pesado, envolve o filho de Lula, que é candidato à
reeleição e, vale lembrar, o pleito ocorre em outubro. O senador Flávio
Bolsonaro (PL), filho de Jair Bolsonaro, é o principal candidato da oposição.

Nenhum comentário:
Postar um comentário