Cláudio Castro, Alexandre Ramagem e deputados estaduais
aparecem em lista de propina
Na planilha do bicheiro Adilsinho está o pastor Márcio
Poncio, suplente de deputado federal
Em 30 de junho, um dia antes de entrar em recesso, a
Assembleia Legislativa do Rio de
Janeiro —que ocupa o centro de uma investigação da Polícia Federal
sobre a simbiose entre bandidos e parlamentares— aprovou 430 homenagens. Faltou
a medalha Justo Veríssimo, com o nome do personagem de Chico Anysio
("Quero que o pobre se exploda!"), premiando o deputado mais
corrupto.
Dois dias depois, a operação Unha e Carne
revelou a análise de planilhas apreendidas com o bicheiro Adilsinho, um dos
mais sanguinários do Rio e chefe da máfia do cigarro ilegal. Os documentos
registram doações eleitorais, pagamentos indevidos a políticos e contabilidade
paralela para ocultar a movimentação de recursos ilícitos. A PF prendeu Márcio
Poncio, suplente de deputado federal, pai da deputada estadual Sarah Poncio,
empresário do ramo de tabaco e conhecido, por suas pregações religiosas numa
tal Igreja da Nuvem, como "pastor do cigarro".
No listão do bicho constam os nomes do ex-governador Cláudio
Castro, do ex-presidente da Alerj Rodrigo
Bacellar (preso por fornecer informações ao Comando
Vermelho e que foi conduzido à PF carregando uma Bíblia versão luxo
com letras "ultragigantes"), do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem
(golpista condenado e foragido nos EUA), do deputado estadual Rodrigo Amorim
(aquele que quebrou a placa de Marielle), do ex-deputado federal Marco Antônio
Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral (provando que a infiltração
criminosa é permanente).
Entre as auditorias realizadas pelo governador interino do
Rio, Ricardo Couto, destaca-se um caso de fraude com ramificações no
além-túmulo: um curso online de capacitação para defuntos, ao custo de R$ 50
milhões. Sob Castro, 77 órgãos da máquina fluminense tinham funcionários que
nunca trabalharam. Fantasmas assumidos.
Crescem rumores sobre a delação de Bacellar e a prisão de
Castro, com reflexos na campanha presidencial do filho 01.
Fingindo que nada tem a ver com o peixe, ele abandonou a
base bolsonarista no estado. Só pensa em Trump.

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