Urnas vão julgar políticos do caso Master antes de STF
bater o martelo sobre condenações
Eleitores, e não a nata do Judiciário, vão decidir primeiro quem deve ser punido pelas fraudes cometidas no esquema de Daniel Vorcaro; ministros ligados ao banqueiro devem ser poupados
As urnas vão definir, antes do Supremo Tribunal Federal
(STF), quem são os culpados e os inocentes no escândalo do Banco Master. A
Polícia Federal poderá concluir a investigação sobre o esquema de Daniel
Vorcaro antes de outubro. O ritmo das apurações será mais ágil após a rejeição
de duas propostas de delação premiada do ex-banqueiro, com expectativa de
acontecer o mesmo com a terceira tentativa.
Ainda assim, não haverá tempo hábil para a Corte encerrar o
processo judicial até lá. Finalizada a parte da PF, caberá à Procuradoria-Geral
da República (PGR) apresentar ou não denúncias ao Supremo contra os eventuais
indiciados. Nos bastidores, a expectativa é de que Paulo Gonet não tenha pressa
para fazer isso, especialmente no meio do processo eleitoral.
Em caso de denúncia, se os ministros da
Segunda Turma do STF concordarem em abrir ação penal, vai ser iniciada uma nova
fase de apurações. Somente com o encerramento desta fase o tribunal julgaria os
réus. Os prazos fixados na legislação penal devem empurrar a conclusão do
processo para 2027.
Ou seja: quando a classe política for julgada pelo STF, não
haverá mais pressão eleitoral.
Sobre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que
foram citados por relações próximas com Vorcaro, o mais provável é que nem
sequer sejam alvo de denúncia da PGR.
Nas campanhas, o clima é de tensão. Mais do que o risco de
condenação judicial, os candidatos temem agora o impacto das próximas operações
da PF sobre as campanhas.
O primeiro candidato diretamente atingido foi Flávio
Bolsonaro, com a descoberta de que Vorcaro teria financiado o filme sobre Jair
Bolsonaro. O caso pode gerar novas frentes de apurações na PF. Entretanto,
fontes do Supremo apostam que haja maior potencial para subtrair votos do filho
do ex-presidente do que para gerar condenação penal.
A candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva também foi
alvejada com a revelação de que o então líder do governo no Senado, Jaques
Wagner (PT-BA), recebeu dinheiro e vantagens de Vorcaro. Assim como a situação
do oponente, Lula deve sofrer revés maior nas urnas do que nos tribunais.
Passada a eleição presidencial, a tendência é de que o
escândalo do Master perca tração no Supremo – mesmo porque a pressão da opinião
pública em torno do caso provavelmente terá diminuído. A exemplo do que
aconteceu com outros esquemas de corrupção do País, o julgamento final dos réus
será realizado depois de silenciado o clamor social. E, por isso mesmo, com um
cenário de menor probabilidade de condenações de poderosos.

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